Diesel S-10 sobe 19,4% em 12 meses, mostra Veloe/Fipe
O diesel S-10 foi o combustível que mais encareceu no Brasil nos últimos 12 meses, com alta de 19,4%, segundo o Monitor de Preços dos Combustíveis, iniciativa da Veloe em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Em outubro, o litro chegou a R$ 7,353 na média nacional, avanço de 3,5% em relação a setembro. O diesel comum registrou aumento ainda maior no mês, de 4,3%, alcançando R$ 7,186 por litro. A pressão sobre o diesel se destacou em um mês de aumentos para quatro dos seis combustíveis monitorados.
Além dos dois tipos de diesel, o etanol hidratado subiu 1,8%, chegando a R$ 4,224 por litro, e o GNV avançou 0,8%, para R$ 5,051 por metro cúbico. Na direção contrária, a gasolina comum permaneceu praticamente estável, a R$ 6,637 por litro, enquanto a aditivada recuou 0,1%, para R$ 6,771.
Apesar da alta mensal, o etanol continua sendo o único combustível com queda de preços no acumulado do ano e nos últimos 12 meses, com recuos de 5,6% e 3,1%, respectivamente. Entre os demais, o GNV acumula alta de 8,7% em 2026, enquanto a gasolina comum subiu 5,7% e a aditivada, 5,3%. No intervalo de 12 meses, além dos aumentos expressivos do diesel, o GNV avançou 7,0%, a gasolina comum subiu 5,5% e a aditivada, 5,1%. Já o diesel S-10 e o comum lideram as altas acumuladas de 2026, com aumentos de 19,0% e 17,4%, respectivamente.
A pressão sobre os derivados de petróleo ocorre em um cenário de custos internacionais elevados e diferenças expressivas entre os preços domésticos e as referências do mercado externo. Em outubro, o petróleo Brent voltou a superar US$ 100 por barril, em meio às incertezas relacionadas aos conflitos no Oriente Médio e aos riscos para a oferta e o transporte da commodity. Medidas federais de desoneração tributária e subvenção aos combustíveis buscaram conter parte desse impacto, mas não impediram a alta do diesel nos postos.
Na gasolina comum, a estabilidade da média nacional esconde diferenças regionais. Os maiores preços foram registrados no Norte (R$ 7,124) e no Nordeste (R$ 6,890), enquanto os menores ficaram no Sul (R$ 6,424) e no Sudeste (R$ 6,512). Na comparação com setembro, o Centro-Oeste teve a maior queda (-0,6%), seguido pelo Norte (-0,2%). O Sudeste registrou leve alta de 0,1%, enquanto Nordeste e Sul permaneceram praticamente estáveis.O diesel S-10, por sua vez, apresentou aumentos em todas as regiões. O Centro-Oeste registrou a maior variação mensal, de 5,1%, seguido pelo Sul (+4,5%), Nordeste (+2,9%), Sudeste (+2,9%) e Norte (+2,0%). Os preços médios mais altos foram observados no Centro-Oeste (R$ 7,604) e no Nordeste (R$ 7,547), enquanto o Sudeste (R$ 7,214) e o Sul (R$ 7,215) tiveram os menores valores.
O etanol hidratado também registrou o segundo aumento mensal consecutivo, em um contexto de restrições temporárias de oferta e demanda aquecida. Chuvas nas regiões produtoras dificultaram a colheita e a moagem da cana-de-açúcar, enquanto as distribuidoras ampliaram as compras para atender ao consumo e recompor estoques. Em outubro, os maiores preços médios foram registrados no Norte (R$ 5,145) e no Nordeste (R$ 4,846). Sudeste (R$ 4,115) e Centro-Oeste (R$ 4,198) apresentaram os menores valores. Na comparação mensal, os preços subiram no Sudeste (+2,5%), no Sul (+2,0%) e, de forma mais discreta, no Centro-Oeste (+0,1%).
Já no Norte (-0,2%) e no Nordeste (-0,1%), houve recuo.Mesmo com os aumentos recentes, o Indicador de Custo-Benefício Flex mostra que o etanol ainda é economicamente vantajoso em diversos estados. Em outubro, o preço médio do biocombustível correspondeu a 67,4% do valor da gasolina comum na média das unidades da Federação, ante 66,6% em setembro. Nas capitais, a relação passou de 67,3% para 68,0%. Considerando as relações de preços por unidade da Federação e o parâmetro de referência de 70%, o etanol apresentou vantagem em Mato Grosso (60,0%), São Paulo (61,5%), Goiás (63,1%), Mato Grosso do Sul (63,4%), Paraná (65,1%), Distrito Federal (67,6%), Bahia (67,7%) e Minas Gerais (67,8%). A gasolina, por sua vez, apresentou melhor relação de custo-benefício no Maranhão (78,4%), Rio Grande do Norte (76,7%), Rio Grande do Sul (75,4%), Pará (75,2%) e Sergipe (75,1%).
O custo dos combustíveis também pesa de forma desigual no orçamento das famílias brasileiras. No segundo trimestre de 2026, abastecer um tanque de 55 litros com gasolina comum comprometeu 6,1% da renda média domiciliar, ante 5,5% no trimestre anterior e 6,0% no mesmo período de 2025. Nas capitais, o indicador chegou a 4,2%, acima dos 3,7% registrados no primeiro trimestre. Apesar da piora recente, o percentual nacional permaneceu abaixo dos níveis observados em 2021 (7,7%) e 2022 (8,8%).As disparidades regionais continuam expressivas. O abastecimento comprometeu 9,6% da renda média domiciliar no Nordeste e 8,0% no Norte, em comparação com 5,1% no Sudeste, 5,0% no Sul e 4,9% no Centro-Oeste. Entre as unidades da Federação, Maranhão (10,6%), Alagoas (10,2%), Bahia (10,1%), Pernambuco (10,0%) e Ceará (9,8%) registraram os maiores percentuais, indicando menor poder de compra. No outro extremo, o comprometimento foi de 3,0% no Distrito Federal e de 4,7% em São Paulo e Santa Catarina.
Os resultados de outubro mostram, assim, um cenário de pressão mais intensa nos preços do diesel, enquanto as gasolinas apresentam relativa estabilidade e o etanol mantém queda nos acumulados do ano e de 12 meses. A evolução dos preços internacionais, as medidas de contenção adotadas pelo governo e as condições de oferta do biocombustível oferecem elementos para interpretar os movimentos distintos entre os combustíveis, sem que seja possível atribuí-los a um único fator.
Para mais detalhes, acesse oMonitor de Preços de Combustíveis (outubro/2026).
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