Dólar fecha quase estável ante real; Fed ofusca menor intervenção do BC

Publicado em 18/06/2015 18:00

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou praticamente estável sobre o real nesta quinta-feira, com as expectativas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, seja gradual ao elevar os juros compensando o impacto da sinalização de que o Banco Central brasileiro deve reduzir ainda mais o ritmo de intervenção no câmbio.

A moeda norte-americana teve leve variação positiva de 0,03 por cento, a 3,0588 reais na venda, após perder mais de 1 por cento em cada uma das duas sessões passadas. No mercado internacional, o dólar recuava cerca de 0,3 por cento contra uma cesta de divisas logo após as 17h (horário de Brasília).

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 1,1 bilhão de dólares.

"O BC repetiu a dose e aproveitou o momento de bom humor nos mercados externos para reduzir a rolagem (de swaps), o que não é tão surpreendente. A fraqueza da moeda norte-americana no exterior prevalece", afirmou o operador da corretora SLW João Paulo de Gracia Correa.

Na véspera, o Fed indicou que a economia dos Estados Unidos provavelmente está forte o suficiente para alta de juros neste ano, mas reduziu sua projeção de crescimento econômico. A manobra foi interpretada por investidores como sinalização de que "ele quer subir juros, mas ainda não está confortável para isso", disse Correa.

A reação do mercado foi reduzir as cotações do dólar globalmente, uma vez que postura mais gradual do Fed manteria a atratividade de ativos de outros países. Operadores esperam, de forma geral, que o aperto monetário tenha início em setembro nos EUA.

O bom humor nos mercados externos nesta sessão foi limitado, no entanto, pela crise em torno da dívida da Grécia. Reunião do Eurogrupo para discutir o impasse nesta quinta-feira fracassou e o Banco Central Europeu (BCE) afirmou não ter certeza se os bancos gregos serão capazes de abrir na segunda-feira.

MENOS SWAPS

Após o fechamento do mercado na véspera, o BC anunciou para esta sessão leilão de até 5,2 mil swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólar, para rolagem do lote que vence em julho. Na última semana, a autoridade monetária vinha ofertando até 6,3 mil contratos e, antes disso, até 7 mil.

O BC vendeu a oferta total no leilão de rolagem nesta manhã. Com isso, repôs o equivalente a 4,187 bilhões de dólares ao todo, ou por volta de 48 por cento do lote total, que corresponde a 8,742 bilhões de dólares.

Se mantivesse as ofertas de até 6,3 mil contratos por dia até o penúltimo pregão do mês, como de praxe, o BC rolaria cerca de 74 por cento do lote de julho. Com a oferta menor, essa proporção cairia para por volta de 69 por cento.

Segundo o gestor de um importante banco internacional, a redução da intervenção "não muda a tendência do câmbio, que deve ficar um pouco acima de 3 reais em função da fraqueza do dólar no mundo. No máximo, suaviza um pouco as quedas, porque adiciona um pouco de risco a quem quer especular na baixa".

Na semana passada, quando aconteceu a primeira redução, analistas interpretaram que o BC indicou que está disposto a tolerar um dólar mais valorizado para incentivar a atividade econômica, via exportações, em um momento em que eleva os juros para domar a inflação.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Mercado financeiro argentino recupera forças com resultado eleitoral no Brasil
Renovação da Câmara federal chegou a 35%; veja nova composição da Casa
Dólar tem maior queda diária em mais de 8 anos com Flávio à frente de Lula no 1º turno
Trump elogia desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno das eleições
Ibovespa fecha acima dos 200 mil pontos pela 1ª vez após Flávio Bolsonaro liderar 1º turno
Aprovação de Trump atinge nível recorde de baixa; hispânicos estão descontentes com os republicanos, diz Reuters/Ipsos