Dólar tem maior queda diária em mais de 8 anos com Flávio à frente de Lula no 1º turno

Publicado em 05/10/2026 17:41 | Atualizado em 05/10/2026 18:20

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 5 Out (Reuters) - O dólar despencou ante o real nesta segunda-feira, retornando para perto dos R$5,00, em uma reação direta ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O dólar à vista encerrou a sessão com baixa de 4,12%, a R$5,0022, a menor cotação de fechamento desde 21 de maio deste ano, quando atingiu R$5,0004.

Foi o maior recuo diário para a moeda norte-americana em mais de 8 anos, desde 8 de junho de 2018, quando o dólar cedeu 5,59% em um único dia.

No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,87%.

Às 17h05, o dólar futuro para novembro -- o mais negociado no Brasil -- cedia 4,28% na B3, aos R$5,0280.

A euforia dos investidores foi resultado da votação de domingo, que mostrou Flávio com 2 pontos percentuais à frente de Lula no primeiro turno: 47,03% contra 45,16%. A percepção dos profissionais do mercado é de que uma virada no segundo turno, marcado para 25 de outubro, é pouco provável.

A queda forte do dólar esteve em sintonia com o recuo de mais de 135 pontos-base das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) de longo prazo e com a disparada de mais de 7% do Ibovespa.

Às 10h38, o dólar à vista marcou a cotação mínima intradia de R$4,9534 (-5,06%), sendo que desde maio a divisa não oscilava abaixo dos R$5.

Na madrugada de segunda-feira, a Reuters havia trazido a perspectiva de forte rali dos ativos brasileiros, que no exterior já subiam.

Os investidores avaliaram, em geral, que com Flávio na Presidência cresceriam as chances de o governo federal promover um ajuste das contas públicas, sendo que a política fiscal de Lula ainda é vista com desconfiança.

"Caso Flávio confirme a vitória, o dólar/real deverá seguir em tendência de baixa de longo prazo e, por isso, não é recomendável exagerar na compra", alertou em relatório o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, ao tratar de estratégias para importadores brasileiros, que atuam na ponta de compra da moeda.

"Dada a estimativa de grande movimento, não seria surpresa cair em direção a R$4,90-R$4,80", acrescentou.

O efeito eleitoral sobre as cotações deixou em segundo plano nesta segunda-feira o exterior, onde a sessão foi marcada pelo avanço dos rendimentos dos Treasuries e do dólar ante divisas fortes como o euro e a libra. Às 17h25, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,24%, a 102,140.

No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de novembro.

(Edição de Isabel Versiani e Pedro Fonseca)

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