EUA x China: "Fase um" do acordo não deve acontecer mais em 2019; mercados recuam

Publicado em 20/11/2019 16:26

A tão comentada "fase um" do acordo entre China e Estados Unidos pode não ser efetivada ainda neste ano, disseram fontes ligadas à Casa Branca nesta quarta-feira (20). A informação, trazida pela Reuters Internacional, logo pesou sobre os mercados financeiros e de commodities, diante um cenário de solução para uma disputa que já dura quase dois anos cada vez mais distante. 

A demanda principal de Pequim neste momento é de que os EUA retirem as tarifas sobre os produtos chineses e o presidente americano Donald Trump é taxativo ao dizer que nesse ponto seu governo não cede. 

Esse acordo prévio entre chineses e americanos teria sido alcançado em 11 de outubro, em Washigtnon, quando líderes de ambos os países se reuniram. Na ocasião, Trump e o Secretário do Tesouro dos EUA, Steve Mnunchin, afirmaram que a confecção dos termos e a assinatura da fase um deveriam acontecer em cerca de cinco semanas. Passado esse período, as negociações continuam, porém, algo concreto seguem ainda muito distante.

Ainda de acordo com fontes ouvidas pela Reuters, Trump e o representante do comércio dos EUA, Robert Lighthizer, acreditam que algo que não contemple com segurança as questões ligadas à propriedade intelectual e à tecnologia podem não ser um bom negócio para os Estados Unidos. 

Um novo aumento de tarifas americanas sobre produtos e bens da China está previsto para 15 de dezembro e, caso essa primeira fase não seja realmente efetivada até a data a elevação entrará em vigor, também nas palavras do presidente americano. Ou seja, as negociações, conversas e especulações continuam em 2020. 

"A China terá que fazer um acordo que eu goste. Se não fizermos um acordo com a China, apenas aumentarei as tarifas ainda mais", disse Trump na última terça-feira (19) em uma reunião na Casa Branca. Ao mesmo tempo, no entanto, o presidente afirma que continua a conversar com Pequim.

IMPACTOS

Os impactos nos principais mercados foram imediatos depois da notícia. Os índices acionários em Wall Street recuaram de forma expressiva e bateram em suas míninas em seis semanas, de acordo com a agência de notícias Bloomberg. O dólar, mais uma vez, voltou a subir frente a uma cesta de moedas, e novamente cresceu a tensão entre os participantes do mercado. 

"Havia expectativas nas últimas semanas de que algum tipo de acordo interino seria feito. E a realidade da situação agora está se instalando", diz à Bloomberg o chefe estrategista da Ned Davis Research, Ed Clissold. 

Como salienta o economista-chefe da Farsul (Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul), Antônio da Luz, a situação da guerra comercial precisa chegar a um fim. "São duas economias gigantes, interdependentes e isso não pode continuar assim. O que Trump trouxe em em sua campanha como promessa foi uma relação diferente com a China, um acordo, não uma briga desse tamanho. Ele precisa de resultados", diz. 

A soja negociada na Bolsa de Chicago, que mais cedo operava em alta, também passou a recuar depois da notícia e terminou o dia em campo negativo no pregão desta quarta-feira. Os contratos mais negociados da oleaginosa terminaram o dia perdendo entre 2,50 e 4,75 pontos, com o janeiro valendo US$ 9,06 e o maio, US$ 9,33 por bushel. 

O mercado segue completamente focado nas relações entre China e Estados Unidos e, como explicam analistas e consultores de mercado, deverá seguir confinado nesse mesmo intervalo de preços visto há meses até que um acordo seja encontrado. E um acordo efetivo, com compras - e grandes compras - sendo feitas pela nação asiática no mercado norte-americano. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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