Preços da carne caem e inflação tem menor taxa para janeiro em 26 anos

Publicado em 07/02/2020 09:53

A inflação oficial brasileira começou o ano sob menor pressão dos preços das carnes e arrefeceu mais do que o esperado em janeiro, registrando a taxa mais baixa para o mês em 26 anos.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou a alta a 0,21% em janeiro, de 1,15% em dezembro, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Esse é o menor nível para o mês de janeiro desde o início do Plano Real, em 1994.

Com isso, o acumulado em 12 meses até janeiro para o IPCA passou a 4,19%, pouco acima do centro da meta de inflação para este ano de 4%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Em 2019, o IPCA acumulou avanço de 4,31%, terminando acima do centro da meta oficial, porém dentro do limite pelo quarto ano seguido.

"Foi uma taxa abaixo da média para janeiro e o que se vê é um ajuste em uma taxa que subiu muito em dezembro por conta da pressão das carnes. Parte dessa alta foi devolvida agora", explicou Pedro Kislanov, o gerente da pesquisa do IBGE.

"O choque de oferta de dezembro passou e trouxe para baixo o grupo alimentação, um dos principais do IPCA", completou.

Ambos os resultados ficaram abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters com analistas que apontavam alta de 0,34% em janeiro, acumulando em 12 meses avanço de 4,32%.

Em janeiro o destaque ficou para a queda dos preços das carnes de 4,03%, após alta de 18,06% em dezembro, registrando o impacto negativo mais intenso sobre o índice do mês (-0,11 ponto).

Com isso, a alimentação no domicílio registrou alta de 0,20% no mês, de 4,69% em dezembro, levando a alta do grupo Alimentação e Bebidas a desacelerar para 0,39% em janeiro, de 3,38% um mês antes.

Três grupos registraram deflação no início do ano: Vestuário (-0,48%), Saúde e Cuidados Pessoais (-0,32%) e Artigos de Residência (-0,07).

Por outro lado, Habitação registrou o maior impacto no índice do mês e maior alta, de 0,55%, depois de recuo de 0,82% em dezembro. A pressão veio das altas de 1,39% nos preços de condomínio e de 0,61% do aluguel residencial.

"Não há sinais de pressão de demanda e de consumo, mesmo com mais gente entrando no mercado de trabalho. Estamos num contexto de recuperação gradual da economia", disse Kislanov.

Em meio às discussões sobre os cenários para a taxa básica de juros ao longo deste ano, na quarta-feira, o Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, à nova mínima histórica de 4,25% ao ano, e indicou o fim do atual ciclo de cortes na taxa básica de juros, em meio à leitura de que os ajustes já feitos ainda vão surtir efeito na economia e com foco crescente nas expectativas de inflação para 2021.

No comunicado da decisão, o BC indicou que, considerando os juros constantes no mesmo patamar e o câmbio também constante em 4,25 reais, suas projeções de inflação estão em torno de 3,5% para o IPCA em 2020 e 3,8% para 2021.

"(O IPCA deu) algum alívio na percepção inflacionária mas com pouca expectativa baixista em taxas (de juros), especialmente após a clara sinalização de interrupção do ciclo de afrouxamento pelo Copom", disse em nota a equipe da Commcor.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Principal negociador do Irã diz que Teerã não tem motivos para respeitar memorando com EUA sem benefícios
FMI diz estar trabalhando para avaliar melhor riscos de dívida interna para países de baixa renda
Brasil tem fluxo cambial positivo de US$54 milhões em julho até dia 10, diz BC
Governo passa a ver inflação acima de 5% em 2026
Ações europeias avançam com recuperação do setor de luxo mesmo com persistência dos riscos de guerra
Se confirmado tarifaço dos EUA, governo avaliará setores afetados e atuará com compromisso fiscal, diz Durigan