Projeção de Selic no fim de 2020 recua de 2,75% para 2,50%, aponta Focus

Publicado em 11/05/2020 09:02

Na esteira da decisão de política monetária do Banco Central (BC) na semana passada, os economistas do mercado financeiro alteraram suas projeções para a Selic (a taxa básica da economia) no fim de 2020. O Relatório de Mercado Focus trouxe nesta segunda-feira, 11, que a mediana das previsões para a Selic neste ano passou de 2,75% para 2,50% ao ano. Há um mês, estava em 3,25%.

Já a projeção para a Selic no fim de 2021 foi de 3,75% para 3,50% ao ano, ante 4,50% de quatro semanas atrás. No caso de 2022, a projeção seguiu em 5,50%, ante 6,00% de um mês antes. Para 2022, permaneceu em 6,00%, igual a quatro semanas atrás.

Na semana passada, ao cortar a Selic de 3,75% para 3,00% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou que, para a próxima reunião, "considera um último ajuste, não maior do que o atual, para complementar o grau de estímulo necessário como reação às consequências econômicas da pandemia da covid-19".

"No entanto, o Comitê reconhece que se elevou a variância do seu balanço de riscos e ressalta que novas informações sobre os efeitos da pandemia, assim como uma diminuição das incertezas no âmbito fiscal, serão essenciais para definir seus próximos passos", ponderou o colegiado.

No grupo dos analistas que mais acertam as projeções (Top 5) de médio prazo no Focus, a mediana da taxa básica em 2020 seguiu em 2,50% ao ano, ante 2,75% ao ano de um mês antes. No caso de 2021, seguiu em 3,88% ao ano, ante 4,00% ao ano de quatro semanas atrás.

A projeção para o fim de 2022 no Top 5 seguiu em 6,00%. Há um mês, estava no mesmo nível. No caso de 2023, permaneceu em 6,00%, número igual ao visto quatro semanas antes.

IPCA para 2020 passa de 1,97% para 1,76% e de 3,30% para 3,25% em 2021

Sob influência dos dados mais recentes de inflação, os economistas do mercado financeiro cortaram novamente a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - em 2020 e 2021. O Relatório de Mercado Focus divulgado nesta segunda-feira, 11, pelo Banco Central, mostra que a mediana para o IPCA neste ano foi de alta de 1,97% para 1,76%. Há um mês, estava em 2,52%. A projeção para o índice em 2021 passou de 3,30% para 3,25%. Quatro semanas atrás, estava em 3,50%.

O relatório Focus trouxe ainda a projeção para o IPCA em 2022, que seguiu em 3,50%. No caso de 2023, a expectativa permaneceu em 3,50%. Há quatro semanas, essas projeções eram de 3,50% para ambos os casos.

A projeção dos economistas para a inflação já está bem abaixo do centro da meta de 2020, de 4,00%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (índice de 2,50% a 5,50%). No caso de 2021, a meta é de 3,75%, com margem de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). Já a meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%).

A expectativa de inflação no curto prazo tem sido bastante afetada pela perspectiva de que, com a pandemia do novo coronavírus, a atividade econômica seja fortemente prejudicada, com impactos negativos sobre a demanda por produtos e baixa da inflação.

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA recuou 0,31% em abril - o menor índice desde agosto de 1998. No acumulado do ano, a taxa está positiva em 0,22%.

No Focus agora divulgado, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2020 foi de 1,36% para 1,97%. Para 2021, a estimativa do Top 5 passou de 3,20% para 3,00%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 2,62% e 3,45%, nesta ordem.

Últimos 5 dias úteis

Com o avanço do novo coronavírus no Brasil, a projeção mediana para o IPCA de 2020 atualizada com base nos últimos cinco dias úteis foi de 1,82% para 1,64%. Houve 48 respostas para esta projeção no período. Há um mês, o porcentual calculado estava em 2,35%.

No caso de 2021, a projeção do IPCA dos últimos cinco dias úteis seguiu em 3,25%. Há um mês, estava em 3,41%. A atualização no Focus foi feita por 44 instituições.

Projeção para PIB no fim de 2020 recua para 4,11%

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus sobre a economia brasileira e a crise política no governo de Jair Bolsonaro fizeram os economistas do mercado financeiro cortarem novamente suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020. Conforme o Relatório de Mercado Focus, a expectativa para a economia este ano passou de retração de 3,76% para queda de 4,11%. Há quatro semanas, a estimativa era de baixa de 1,96%.

Para 2021, o mercado financeiro manteve a previsão do Produto Interno Bruto (PIB), de alta de 3,20%. Quatro semanas atrás, estava em 2,70%.

Em março, na esteira da pandemia, o BC atualizou, por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), sua projeção para o PIB em 2020, de alta de 1,8% para variação zero. O próprio BC, no entanto, já reconheceu que o cenário está se alterando rapidamente e que, por isso, a projeção do RTI não reflete a situação atual.

No Focus divulgado nesta segunda-feira, 11, a projeção para a produção industrial de 2020 foi de baixa de 2,75% para recuo de 3,00%. Há um mês, estava em baixa de 1,42%. No caso de 2021, a estimativa de crescimento da produção industrial passou de 3,00% para 2,75%, ante 2,95% de quatro semanas antes.

A pesquisa Focus mostrou ainda que a projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2020 passou de 62,10% para 64,15%. Há um mês, estava em 60,00%. Para 2021, a expectativa foi de 64,98% para 65,20%, ante 60,73% de um mês atrás.

Déficit primário

O Relatório de Mercado Focus trouxe nesta segunda-feira nova mudança na projeção para o resultado primário do governo em 2020 A relação entre o déficit primário e o PIB este ano foi de 7,20% para 7,52%. No caso de 2021, foi de 1,90% para 2,00%. Há um mês, os porcentuais estavam em 4,14% e 1,00%, respectivamente

Já a relação entre déficit nominal e PIB em 2020 foi de 11,30% para 12,00%, conforme as projeções dos economistas do mercado financeiro. Para 2021, seguiu em 5,70%. Há quatro semanas, estas relações estavam em 9,02% e 4,95%, nesta ordem.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros

Os avanços nas projeções refletem a expectativa de que, com o aumento das despesas do governo durante a pandemia do novo coronavírus, o País terá um cenário fiscal ainda mais difícil.

 

Projeção do Relatório Focus para câmbio em 2020 segue em R$ 5,00

O Relatório de Mercado Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira, 11, pelo Banco Central (BC) mostrou manutenção no cenário para a moeda norte-americana em 2020. A mediana das expectativas para o câmbio no fim do ano seguiu em R$ 5,00, ante R$ 4,60 de um mês atrás. Já para 2021, a projeção dos economistas do mercado financeiro para o câmbio foi de R$ 4,75 para R$ 4,83, ante R$ 4,47 de quatro pesquisas atrás.

 

 

 

Fonte: Estadão Conteúdo

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