Defesa aciona PGR contra Gilmar Mendes por ministro ter associado Exército a genocídio

Publicado em 13/07/2020 16:16

BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Defesa encaminhará à Procuradoria-Geral da República uma representação contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes depois de o magistrado ter acusado o Exército de se associar a um "genocídio" na maneira como o governo federal vem tratando a epidemia de Covid-19.

"Comentários dessa natureza, completamente afastados dos fatos, causam indignação. Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana. O ataque gratuito a instituições de Estado não fortalece a democracia", disse o ministério em nota oficial assinada pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e os comandantes da Marinha, ILques Barbosa Junior, do Exército, Edson Leal Pujol, e da Aeronáutica, Antonio Carlos Moretti Bermudez.

No sábado, em uma live organizada pela revista IstoÉ com Gilmar, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e o médico Dráuzio Varella, o ministro criticou o fato de o governo federal ter ainda um ministro da Saúde interino, o general Eduardo Pazuello, desde o final de abril.

"Não podemos mais tolerar essa situação que se passa com o Ministério da Saúde. Pode se ter estratégia, pode ter tática em relação a isso. Mas é impossível, não é aceitável que se tenha esse vazio no Ministério da Saúde. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a Estados e municípios", disse o ministro.

"É preciso fazer alguma coisa. Isso é ruim, é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. Não é razoável para o Brasil. É preciso dizer, é preciso pôr fim a isso."

Na nota de resposta a Gilmar, o ministério afirma que genocídio é um crime "gravíssimo" e que "na atual pandemia, as Forças Armadas, incluindo a Marinha, o Exército e a Força Aérea, estão completamente empenhadas justamente em preservar vida.."

"Informamos que o MD encaminhará representação ao Procurador-Geral da República (PGR) para a adoção das medidas cabíveis", encerra a nota.

Ainda na noite de domingo, depois da repercussão da sua fala, Gilmar Mendes usou o aniversário do projeto Rondon para afirmar, no Twitter, que tem "absoluto respeito e admiração pelas Forças Armadas", mas reafirmou suas críticas ao fato dos militares estarem no comando da Saúde.

"Não me furto, porém, a criticar a opção de ocupar o Ministério da Saúde predominantemente com militares. A política pública de saúde deve ser pensada e planejada por especialistas, dentro dos marcos constitucionais. Que isso seja revisto, para o bem das FAs e da saúde do Brasil", escreveu.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

- Confira abaixo a Nota Oficial do Ministério da Defesa:

Fonte: Reuters

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