Ibovespa fecha sessão em alta, mas recua na semana com receios fiscais

Publicado em 14/08/2020 17:46

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa terminou a sexta-feira no azul, mas acumulando perda na semana, marcada por uma bateria de resultados corporativos e desconforto com o cenário fiscal do país, enquanto, no exterior, não houve avanço sobre medidas de estímulos à economia norte-amerincana afetada pela pandemia de Covid-19.

A safra de balanços trouxe lucros bilionários de JBS e Marfrig no segundo trimestre, assim como desempenho considerado positivo de empresas de ecommerce como Via Varejo e B2W, mas também reiterou o efeito da crise desencadeada pelo coronavírus em shoppings, com brMalls, e nas companhias aéreas, com Azul.

Na próxima semana, os desempenhos trimestrais de empresas como Magazine Luiza (dia 17) e Cogna (dia 20) devem ocupar as atenções, assim como a movimentação de ofertas de ações, que segue intensa no mercado brasileiro.

Ao mesmo tempo, uma debandada no ministério da Economia e declarações divergentes sobre o teto fiscal dadas pelo presidente Jair Bolsonaro trouxeram apreensão sobre a solidez do discurso favorável a reformas, privatização e controle de gastos adotado pelo ministro Paulo Guedes.

No exterior, em meio a dados que continuaram mostrando alguma desaceleração no ritmo de recuperação das economias, os EUA voltaram a encerrar a semana sem um desfecho nas negociações quanto a um novo pacote de estímulos fiscais - possibilidade que vinha respondendo por relevante suporte em Wall Street.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,89%, a 101.353,45 pontos, que não evitou uma perda semanal de 1,38% e recuo no mês de 1,51%. O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 28,59 bilhões de reais.

No ano, o declínio do Ibovespa alcança 12,36%. Das mínimas de março, porém, o índice contabiliza alta de 64%.

Veja maiores altas do Ibovespa no dia em; e maiores quedas em.

O índice Small Caps subiu 0,98%, a 2.431,75 pontos, na sessão, com perda de 1,04% na semana e de 1,39% no mês; e baixa de 14,40% no acumulado de 2020.

"Foi uma semana de realização. As compras parecem ainda mais concentradas em investidores individuais que têm uma limitação nas suas compras e convicções menos fortes do que investidores estrangeiros, que só vêm saindo da bolsa brasileira ao longo do ano de 2020, e dos institucionais", observou Eduardo Levy, diretor de Investimentos da Kilima Gestão de Recursos.

"A nossa expectativa é de um mercado relativamente menos volátil, mas com alguma realização (de lucros) contínua ao longo das próximas semanas", acrescentou.

NOTÍCIAS DE AÇÕES EM DESTAQUE NA SEMANA:

Alerta da CVM ilustra correria de cias para IPO

Sequoia vai se listar na B3

Elfa vai listar ações na B3

StoneCo precifica oferta a US$47,50 por papel

Méliuz contrata bancos para IPO, dizem fontes

Caixa Seguridade retoma pedido para IPO

IPO da construtora Lavvi pode girar R$1,6 bi

Oceana Offshore pede registro de IPO

Via Varejo entra no MSCI Global Standard

CVM libera BDRs de brasileiras no exterior

DESTAQUES DO IBOVESPA DO ACUMULADO DO MÊS:

- KLABIN UNIT mostra alta de 21,73% em agosto, ainda embalada pelo forte resultado operacional no segundo trimestre, melhor Ebitda ajustado trimestral da história da fabricante de papel e celulose. Na sequência, SUZANO ON acumula elevação de 20,21%, também amparada por desempenho forte de sua operação de abril a junho, com alta de 35% no Ebitda ajustado, que alcançou 4,2 bilhões de reais.

- CSN ON avança 11,67%, tendo no horizonte um mercado de aço favorável, com perspectiva de reajuste de preços entre agosto e setembro para indústria e distribuidores. No setor, USIMINAS PNA sobe 8% e GERDAU PN valoriza-se 3,09%.

- AZUL PN contabiliza um acréscimo de 10,73%, apesar do prejuízo bilionário no segundo trimestre. A empresa anunciou retomada de parte de suas operações e renegociações para aliviar pressões financeiras, incluindo acordos de novo perfil de pagamento a arrendadores e para adiamento de recebimento várias novas aeronaves.

- COGNA ON recua 13,16%, ainda sofrendo com ajustes após forte valorização no mês passado e ainda sofrendo com a estreia fraca da sua subsidiária Vasta na bolsa norte-americana Nasdaq. Parte do avanço recente de Cogna esteve associada a expectativas para o IPO.

- CYRELA ON acumula queda de 11,16%, tendo de pano de fundo recuo de 40% no lucro líquido no segundo trimestre sobre o desempenho de um ano antes, com a receita encolhendo 10,4%, em meio a declínios de 76% nos lançamentos e de 57% nas vendas contratadas. A companhia, contudo, avalia que a performance mais recente de vendas dá confiança de que setor de construção civil seguirá se recuperando nos próximos trimestres.

- CCR ON perde 9,76%, com resultados do segundo trimestre mostrando prejuízo em razão da queda de tráfego de rodovias, aeroportos e outros modais de mobilidade urbana sob sua concessão diante das medidas de isolamento social tomadas para conter a pandemia do coronavírus. A companhia também sinalizou nesta semana entrar em novas áreas de negócios, entre elas saneamento.

DESTAQUES DO SMALL CAPS NO ACUMULADO DO MÊS:

- LINX ON acumula alta de 36,25%, em meio a uma potencial disputa pela produtora de software para o varejo, com STONECO anunciando acordo vinculante com a empresa na última terça-feira, mas que foi seguido por proposta da TOTVS nesta sexta-feira. O acordo com a StoneCo prevê multa de 605 milhões de reais se a Linx realizar uma operação concorrente envolvendo uma oferta melhor de terceiro.

- SÃO MARTINHO ON valoriza-se 15,96%, com a pauta da semana mostrando que a fabricante de açúcar e etanol obteve lucro líquido de 115,7 milhões de reais no primeiro trimestre da safra 2020/21, avanço de 26,5% ante igual período do ano anterior, em momento em que as usinas brasileiras têm direcionado o foco para a fabricação do adoçante. O Ebitda cresceu 41,1%, para 491 milhões de reais nos três meses até junho.

- LIGHT ON recua 15,98%, tendo de pano de fundo resultado trimestral com prejuízo, afetada pela queda de receitas, uma vez que distribuidoras de energia têm sofrido fortes impactos com a pandemia, que reduziu o consumo de energia e aumentou a inadimplência.

- MILLS ON mostra declínio de 9,40%, também corrigindo parte da alta de julho, com balanço nesta semana mostrando queda discreta na receita no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o Ebitda ajustado cresceu 6,7%, para 20,6 milhões de reais.

Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

- Índice financeiro: -4,87%

- Índice de consumo: -1,39%

- Índice de Energia Elétrica: -5,76%

- Índice de materiais básicos: +8,24%

- Índice do setor industrial: +4,03%

- Índice imobiliário: -2,42%

- Índice de utilidade pública: -5,98%

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

Fonte: Reuters

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