Maia diz que trabalhará contra imposto nos moldes da CPMF se governo enviar proposta

Publicado em 18/08/2020 14:50

Por Eduardo Simões

SÃO PAULO (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a criticar nesta terça-feira a criação de um novo imposto nos moldes da extinta CPMF ou de um chamado "imposto digital", e disse que trabalhará contra uma eventual proposta neste sentido caso seja enviada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Maia rebateu os argumentos do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o novo tributo compensaria a desoneração da folha de pagamentos e que não é correto comparar a nova taxação à extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).

"Se for diferente do que a gente conhece, seria bom o governo apresentar a redação dessa proposta. O Paulo (Guedes) diz que não é a CPMF, que não é correto falar isso. Então, se o Paulo diz isso, se o ministro diz isso, é bom ele apresentar a proposta, mandar uma PEC oficial para discutir a matéria", disse Maia durante evento online do Banco Santander.

"Eu vou trabalhar contra, já disse, vou trabalhar, inclusive, para que ela seja derrotada já na CCJ para que o Brasil não entre nesse pesadelo de ficar criando imposto a cada crise", acrescentou.

O presidente da Câmara disse ainda que a desoneração da folha de pagamento feita num passado recente pela ex-presidente Dilma Rousseff não teve o efeito desejado de criar mais empregos, e afirmou que os empresários também precisam dar sua parcela de contribuição nos esforços de reorganização do Estado brasileiro.

"É fácil você falar: 'desonera a folha (de pagamentos) e cria um imposto'. Quer dizer, a desoneração da folha do governo Dilma não resultou em nenhum emprego novo, essa é que é a verdade, aumentou foi o resultado das empresas", disparou.

"Então, é muito fácil o empresário falar 'reduz o custo da minha contratação de mão de obra e cria a CPMF e a sociedade paga a conta'. Está errado. A tributação do emprego existe no mundo inteiro e está alocada de forma correta, o que está errado no Brasil é que a alíquota no Brasil é muito alta."

Maia disse ainda que pesquisou o que seria o chamado "imposto digital" defendido por Guedes e que não encontrou em outros países do mundo algo parecido. Segundo ele, o que existe é uma intenção de países de tributar a renda de empresas transnacionais de tecnologia que têm sua sede em países onde pagam menos imposto.

"Quando você vai olhar, o que é um imposto digital? O que é uma operação de compra de um produto na Amazon? É um IVA (imposto sobre valor agregado), nada além do adicional de um IVA. Então é uma tributação extra e relação à sociedade brasileira", disse.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ações de Hong Kong se recuperam após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas
Brasil e Coreia do Sul concordam em ampliar cooperação em minerais e comércio
UE diz que não aceitará nenhum aumento nas tarifas dos EUA após decisão da Suprema Corte: “acordo é acordo”
Índia adia negociações comerciais com os EUA após Suprema Corte rejeitar tarifas de Trump, diz fonte
Chefe do comércio dos EUA afirma que nenhum país disse que irá se retirar dos acordos tarifários
Alckmin diz que nova tarifa de 10% anunciada por Trump não afeta competitividade do Brasil