Senado deu "péssimo sinal" ao derrubar veto que limita reajustes de servidores, diz Guedes

Publicado em 20/08/2020 08:19 e atualizado em 20/08/2020 10:37

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o Senado deu um "péssimo sinal" ao derrubar na quarta-feira o veto do presidente Jair Bolsonaro a trecho de projeto que abria exceções à proibição de reajustes salariais de servidores públicos até o fim de 2021.

A proibição da concessão de aumentos foi estabelecida como contrapartida ao auxílio federal de 60 bilhões de reais repassado a Estados e municípios para o enfrentamento da crise do coronavírus. A derrubada do veto, que ainda terá de passar por votação na Câmara dos Deputados, deixa de fora da restrição categorias como as de profissionais de segurança pública, saúde, educação, agentes penitenciários e militares.

"O Senado deu hoje um sinal muito ruim permitindo que justamente os recursos que foram para a crise da saúde possam se transformar em aumento de salários, isso é um péssimo sinal. Isso tem efeito sobre a taxa de juros, muito ruim, muito ruim", afirmou Guedes a jornalistas na noite de quarta-feira. "Vamos torcer para a Câmara conseguir segurar a situação."

O ministro destacou que o veto foi feito pelo presidente em um momento decisivo, em que o país começa a se recuperar economicamente e está empenhado em dar um sinal de disciplina fiscal após despesas extraordinárias direcionadas à crise.

"Não pode o desentendimento político estar acima da saúde do Brasil na hora que o Brasil começa a se recuperar. Quer dizer, pegar o dinheiro da saúde e permitir que se transforme em aumento de salário de funcionalismo é um crime contra o país", disse o ministro.

Ele acrescentou, sem detalhar, que a iniciativa do Sendo pode gerar perdas de até 120 bilhões de reais.

O pacote de auxílio federal envolveu o repasse de 60 bilhões de reais a Estados e municípios e a suspensão do pagamento de dívidas dos entes com a União e bancos públicos, o que levou o valor total do pacote a 125 bilhões de reais.

(Por Isabel Versiani)

Fonte: Reuters

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