Dólar recua ante real após alta de Trump; mercado doméstico reflete alívio político

Publicado em 06/10/2020 09:12 e atualizado em 06/10/2020 10:25

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar era negociado em queda contra o real nesta terça-feira, pressionado pelo maior apetite global por risco depois da alta hospitalar do presidente norte-americano, Donald Trump, e, no cenário doméstico, refletindo uma reaproximação entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Às 10:20, o dólar recuava 0,72%, a 5,5277 reais na venda, enquanto o principal contrato de dólar futuro caía 0,90%, a 5,529 reais.

Entre uma cesta de mais de 30 pares da moeda norte-americana, o real apresentava o melhor desempenho, beneficiado pela notícia de que Guedes e Maia saíram de um jantar com outras autoridades na segunda-feira trocando elogios e pedidos de desculpas e prometendo voltar a trabalhar juntos na agenda econômica do governo.

Em meio a dúvidas sobre a saúde fiscal do Brasil, o novo programa de auxílio proposto pelo governo de Jair Bolsonaro, batizado de Renda Cidadã, tem sido um dos pontos mais recentes de atrito entre Guedes e o Congresso.

"Depois da turbulência da semana passada, a política viveu ontem um dia de alívio e reconciliação", disserem analistas da XP Investimentos em nota.

"Entre outros assuntos, o encontro buscou saídas para destravar o impasse em que se meteu o Renda Brasil", afirmaram, acrescentando que a promessa do senador Marcio Bittar (MDB-AC) de que o financiamento do programa respeitará o teto de gastos também ajudou a melhorar o ânimo doméstico.

Diante de um Orçamento apertado para 2021, o medo dos investidores de um possível furo do limite de gastos do governo tem norteado o mercado de câmbio, contribuindo para deixar o dólar em alta de quase 38% contra o real até agora no ano.

Além do fiscal, a incerteza política, o fraco crescimento econômico e o cenário de juros baixos no Brasil também são apontados como fatores de pressão para a moeda local.

"Entendemos que os movimentos oscilatórios do preço do real frente ao dólar expõe claramente a grandeza das incertezas presentes e nem sempre bem pontuadas", escreveu Sidnei Moura Nehme, economista e diretor-executivo da NGO Corretora.

"A relação real/dólar atualmente não repercute fluxos cambiais legítimos transacionais, mas seguramente o grau de (...) insegurança que, embora com pequenos espasmos de contenção, poderá acentuar a demanda do 'hedge pela insegurança' e aviltar fortemente o preço, causando efeitos consideravelmente danosos à economia."

No âmbito internacional, as negociações desta terça-feira eram marcadas por alívio cauteloso depois da melhora do estado de saúde do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que deixou o hospital na véspera após três noites internado ao ser diagnosticado com Covid-19.

A visão dos mercados internacionais é de que a recuperação de Trump ajudará a levantar parte da incerteza política nos EUA antes das eleições presidenciais de 3 de novembro, além de possivelmente colaborar para as negociações de um novo pacote de estímulo econômico no país.

O índice do dólar contra uma cesta de pares fortes rondava a estabilidade nesta manhã.

Na segunda-feira, a moeda norte-americana à vista teve queda de 1,75% contra o real, a 5,5678 reais na venda, maior baixa percentual diária desde 28 de agosto.

O Banco Central fará nesta sessão leilão de swap tradicional para rolagem de até 10 mil contratos com vencimento em março e julho de 2021.

(Por Luana Maria Benedito)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street fica estável antes de fim de semana prolongado e S&P 500 tem queda semanal
Canadá e China reduzem tarifas de veículos elétricos e canola em retomada dos laços
Ibovespa recua em pregão de ajustes com vencimento de opções após recordes
Dólar fecha em leve alta em linha com exterior
Perícia de nova fase da operação sobre Master deve levar de 4 a 6 meses, diz fonte da PGR
Taxas dos DIs fecham em alta com IBC-Br acima do esperado