Drones atacam vizinhos do Irã, enquanto Teerã parece testar pausa mais recente de Trump

Publicado em 27/07/2026 12:54 e atualizado em 27/07/2026 13:50

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Por Nayera Abdallah e Elwely Elwelly e Eman Abouhassira

DUBAI, 27 Jul (Reuters) - Arábia Saudita, Jordânia e Iraque relataram ataques com drones nesta segunda-feira, dois dias depois que os Estados Unidos suspenderam abruptamente uma campanha de ataques aéreos de duas semanas contra o Irã, enquanto Teerã parecia colocar à prova a mais recente reviravolta estratégica do presidente norte-americano, Donald Trump.

A Arábia Saudita informou ter abatido drones que tinham como alvo instalações petrolíferas, alguns em sua província oriental e outros na capital, Riad. O país afirmou que os drones haviam sido lançados do Iraque por milícias apoiadas pelo Irã e reservou-se o direito de responder.

Por outro lado, os aliados houthis do Irã no Iêmen afirmaram ter atacado pontos de trânsito que transportavam petróleo para o principal porto petrolífero saudita no Mar Vermelho, Yanbu, em retaliação ao que consideraram incursões de drones sauditas no espaço aéreo iemenita.

Anteriormente, a Jordânia informou ter abatido dois drones, e fontes de segurança iraquianas relataram uma série de ataques com drones contra acampamentos que abrigavam forças curdas da oposição iraniana no norte do Iraque. As autoridades não identificaram a origem desses drones.

A Jordânia e o norte do Iraque foram os locais onde quatro militares norte-americanos foram mortos durante a campanha aérea de duas semanas, que Trump suspendeu abruptamente no fim de semana depois que seus altos comandantes o aconselharam que a estratégia havia chegado ao fim.

O Irã afirmou que suspenderá seus próprios ataques enquanto durar o cessar-fogo autoimposto por Trump. Mas também afirmou que ainda mantém o controle do disputado Estreito de Ormuz e que não pretende retomar as negociações de paz com os Estados Unidos.

Em sua mais recente reviravolta estratégica no fim de semana, que ocorreu sem qualquer aviso prévio, Trump interrompeu uma campanha de 13 noites consecutivas de bombardeios cada vez mais intensos, que havia levado Teerã a disparar contra bases norte-americanas na região em resposta.

O fim da campanha dos EUA fez com que os preços do petróleo despencassem. O petróleo Brent, que na semana passada havia ultrapassado brevemente a marca de US$100 por barril pela primeira vez desde maio, caiu cerca de 6,5% nesta segunda-feira, para pouco mais de US$90, tendo atingido níveis tão baixos quanto US$87,55.

A decisão de Trump de suspender a campanha refletiu a recomendação de seus militares de que os bombardeios haviam atingido os limites do que poderiam alcançar, de acordo com uma autoridade norte-americana e várias reportagens da mídia dos EUA.

Uma autoridade norte-americana disse à Reuters que os comandantes militares haviam informado ao presidente que estavam ficando sem alvos. O chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, havia expressado preocupação com o esgotamento das munições de defesa aérea nas bases norte-americanas, disse a autoridade.

O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse no domingo que Trump havia suspendido a campanha para abrir espaço para negociações. Trump, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e outras autoridades norte-americanas descreveram o Irã como “implorando por um acordo”.

Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, disse em uma coletiva de imprensa televisionada nesta segunda-feira que o Irã não havia solicitado a retomada das negociações de paz com os Estados Unidos.

Ainda estavam sendo trocadas mensagens entre as partes por meio de mediadores e o Irã não havia abandonado a diplomacia, mas “as notícias de que o Irã estaria solicitando negociações com os EUA são inventadas”, disse Baghaei. “Isso não faz parte do nosso DNA.”

Teerã também indicou que ainda mantém o controle do Estreito de Ormuz.

IRÃ DIZ QUE SEIS NAVIOS FORAM OBRIGADOS A DAR MEIA-VOLTA NO ESTREITO

Vários veículos da mídia estatal iraniana citaram uma “fonte bem informada” afirmando que o Irã havia feito seis “navios infratores” voltarem na manhã de segunda-feira, após estes terem tentado atravessar o Estreito de Ormuz sem sua permissão. Uma das embarcações, segundo a fonte, sofreu “um acidente”.

“Conforme anunciado anteriormente, a rota de tráfego no Estreito de Ormuz é a rota especificada pelo Irã, e outras rotas estão bloqueadas e não têm saída”, afirmaram os veículos iranianos, citando a fonte.

Trump lançou sua nova campanha de bombardeios para punir o Irã depois que Teerã disparou contra navios que utilizavam uma rota pelo estreito promovida pelos Estados Unidos, que orientaram as embarcações a navegarem próximas à costa de Omã.

O Irã afirma que os navios só podem passar por um canal mais próximo de sua própria costa, que o país controla e onde pretende cobrar taxas de trânsito.

As duas semanas de novos bombardeios dos EUA mataram dezenas de pessoas no Irã e destruíram pontes e túneis em todo o sul do país, além de alvos militares. Quatro militares norte-americanos foram mortos pelo fogo de resposta do Irã contra bases norte-americanas em países árabes vizinhos. O Irã também atacou infraestrutura civil em países do Golfo Pérsico, no que afirmou ser uma retaliação aos ataques dos EUA contra alvos civis.

Na semana passada, os aliados houthis do Irã ameaçaram estender a interrupção do abastecimento global de petróleo a uma segunda importante via navegável, anunciando um bloqueio à indústria petrolífera da Arábia Saudita no Mar Vermelho, o que elevou ainda mais os preços do petróleo.

A suspensão da nova campanha de bombardeios dos EUA não deixa nenhuma indicação clara de que tipo de pressão Washington pode exercer para alcançar o objetivo de Trump de quebrar o domínio do Irã sobre o Estreito de Ormuz.

Washington e Teerã chegaram a um acordo em junho sobre um quadro para negociações que deveriam ocorrer até o final de agosto para resolver questões importantes, como o programa nuclear do Irã.

Mas as partes têm contestado o significado da redação do memorando sobre o Estreito de Ormuz, com Washington insistindo que ele exige que Teerã permita a livre circulação, enquanto o Irã afirma que o documento lhe concede autoridade para supervisionar o trânsito.

O Irã pretende formalizar seu controle sobre o estreito por meio de um acordo com Omã, que controla a margem oposta. Uma delegação de alto escalão de Omã esteve em Teerã no fim de semana para discutir a questão do estreito, e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Baghaei, afirmou que as negociações transcorreram bem.

(Reportagem adicional de Muayad Hameed, no Iraque)

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Fonte:
Reuters

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