UBS compra Credit Suisse, assume até 5 bilhões de francos suíços em perdas

Publicado em 20/03/2023 07:35 e atualizado em 20/03/2023 08:14

BERNA (Reuters) - O UBS acertou a compra do banco rival suíço Credit Suisse por 3 bilhões de francos suíços (3,23 bilhões de dólares) em ações e concordou em assumir até 5 bilhões de francos em perdas, em uma fusão projetada pelas autoridades suíças para evitar mais turbulências no mercado bancário global.

Em um sinal de uma resposta global coordenada, o Banco Central Europeu (BCE) prometeu apoiar os bancos da zona do euro com empréstimos, se necessário, acrescentando que o resgate do Credit Suisse foi "decisivo" para restaurar a calma.

O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, e a secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, mostraram satisfação com o anúncio das autoridades suíças de apoio à estabilidade financeira.

O acordo de compra do Credit Suisse pelo UBS inclui 100 bilhões de francos suíços em assistência de liquidez do banco central suíço para os dois bancos.

Para possibilitar que o UBS assuma o Credit Suisse, o governo federal está oferecendo uma garantia de perda de no máximo 9 bilhões de francos suíços para uma parte claramente definida do portfólio, disse o governo.

Isso será ativado se as perdas forem realmente incorridas nessa carteira. Nessa eventualidade, o UBS assumiria os primeiros 5 bilhões de francos, o governo federal os próximos 9 bilhões de francos e o UBS assumiria quaisquer perdas adicionais, disse o governo.

A agência reguladora da Suíça FINMA disse que havia o risco de que o Credit Suisse pudesse se tornar "ilíquido, mesmo que permanecesse solvente, e era necessário que as autoridades tomassem medidas".

As ações adicionais de nível 1 do Credit Suisse com um valor nominal de cerca de 16 bilhões de francos (17,2 bilhões de dólares) serão totalmente amortizadas depois que o governo suíço forneceu apoio à aquisição do Credit Suisse pelo UBS, informou a FINMA.

O Credit Suisse, de 167 anos, tem sido o maior nome envolvido na turbulência do mercado desencadeada pelo recente colapso dos bancos americanos Silicon Valley Bank e Signature Bank, forçando-o a captar 54 bilhões de dólares em financiamento do banco central na semana passada.

"Com a aquisição do Credit Suisse pelo UBS, foi encontrada uma solução para garantir a estabilidade financeira e proteger a economia suíça nesta situação excepcional", disse o banco central suíço.

As autoridades estavam lutando para resgatar o Credit Suisse, um dos maiores gestores de patrimônio do mundo, antes da reabertura dos mercados financeiros na segunda-feira.

O UBS e o Credit Suisse estão ambos em um grupo de 30 bancos globais sistemicamente importantes observados de perto pelos reguladores, e a falência do Credit Suisse se espalharia por todo o sistema financeiro.

O anúncio veio em um fim de semana decisivo, depois que alguns rivais ficaram cautelosos em suas negociações com o banco suíço em dificuldades, e seus reguladores o instaram a buscar um acordo com o UBS.

A FINMA, que disse ter aprovado a aquisição, disse que medidas recentes para se estabilizar "não foram suficientes para restaurar a confiança no banco, no entanto, e opções de maior alcance também foram examinadas".

A situação dos dois bancos divergiu acentuadamente no ano passado. O UBS teve lucro de 7,6 bilhões de dólares em 2022, enquanto o Credit Suisse teve prejuízo de 7,9 bilhões de dólares. As ações do Credit Suisse caíram 74% em relação a um ano atrás, enquanto as do UBS estão relativamente estáveis.

O governo suíço disse que também estava dando ao UBS uma garantia de 9 bilhões de francos suíços "assumindo perdas potenciais" de ativos como parte da transação.

O presidente-executivo do UBS, Ralph Hamers, e o presidente do conselho, Colm Kelleher, permanecerão no comando do banco combinado.

"A transação reforça a posição do UBS como banco universal líder na Suíça", disse o UBS.

(1 dólar = 0,9280 franco suíço)

(Reportagem de John Revill, Noele Illien, John O'Donnell, Oliver Hirt e Tom Sims)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Ações da China fecham em alta com otimismo em relação à IA
EUA veem Brasil como parceiro "muito promissor" em minerais críticos, diz secretário
Wall Street recua após dados fortes de emprego abalarem apostas no corte de juros do Fed
Ibovespa ultrapassa 190 mil pela 1ª vez embalado por estrangeiros
Dólar cai ao menor valor desde maio de 2024 em meio a forte fluxo estrangeiro para a bolsa
Taxas de DIs curtas caem após comentários de Galípolo, enquanto longas sobem com exterior