Bancos dos EUA acendem alerta sobre imóveis corporativos

Publicado em 14/04/2023 16:01

Por Matt Tracy e Saeed Azhar

(Reuters) - Alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos destacaram imóveis comerciais voltados a escritórios como uma área de crescente preocupação, diante da queda dos valores das propriedades e inadimplência crescente dos locatários em meio ao aumento do juro numa economia em desaceleração.

Diante de perguntas de analistas sobre sua exposição aimóveis comerciais (CRE) e o potencial de perdas, executivos de Wells Fargo, Citigroup e JPMorganChase disseram nesta sexta-feira que as condições estavam piorando no setor.

"A fraqueza continua a se desenvolver em imóveis para escritórios", disse o presidente-executivo do Wells Fargo, Charlie Scharf, a analistas. O banco reservou um adicional de 643 milhões de dólares no primeiro trimestre para perdas de crédito, impulsionadas principalmente por expectativas de maior inadimplência em operações de financiamento imobiliário.

O estresse no setor imobiliário comercial pode ter amplas implicações para os bancos e para a economia norte-americana, uma vez que os calotes podem restringir a disponibilidade de crédito, agravando um cenário recessivo.

O presidente-executivo do JPMorgan, Jamie Dimon, disse esperar condições de empréstimo mais rígidas, principalmente em torno de "certas áreas do setor imobiliário", e que isso "aumenta as chances de uma recessão".

Os bancos representam 54% do mercado geral de 5,7 trilhões de dólares de crédito imobiliário voltado a imóveis comerciais (CRE), com instituições financeiras menores detendo 70% desses empréstimos, de acordo com analistas do Citigroup. Mais de 1,4 trilhão de dólares em financiamentos CRE nos EUA vence até 2027 e cerca de 270 bilhões neste ano, de acordo com o provedor de dados imobiliários Trepp.

Empréstimos garantidos por imóveis voltados para escritórios compõem a maior parte da carga de dívida em vencimento, seguidos por unidades imobiliárias multifamiliares e de varejo. A questão enfrentada por muitos mutuários atualmente é se eles poderão refinanciar ou reestruturar seus empréstimos para evitar a inadimplência, dizem bancos e analistas.

Imóveis mais antigos com grande vacância enfrentam o maior desafio de refinanciamento, afirmam os especialistas.

"Atualmente, os imóveis corporativos enfrentam o maior risco de refinanciamento" à medida que as empresas reavaliam suas necessidades, disse John Guarnera, analista da RBC BlueBay Asset Management, em meio a demissões maciças registradas no país nos últimos meses.

Como epicentro da desaceleração da indústria de tecnologia, o mercado de CRE da Califórnia foi duramente atingido. As cidades de São Francisco e Los Angeles tiveram uma taxa média de vacância de escritórios de 21,6% no primeiro trimestre, segundo dados da Cushman & Wakefield.

Financiamentos imobiliários envolvendo escritórios em São Francisco agora enfrentam o maior risco de inadimplência de todas as áreas metropolitanas dos EUA, de acordo com a Trepp.

Uma subsidiária da gestora de ativos Brookfield, por exemplo, ficou inadimplente em fevereiro em 783 milhões de dólares devidos sobre empréstimos vinculados a dois edifícios em Los Angeles. Citigroup e Wells Fargo estão entre os financiadores iniciais dos empreendimentos.

Citigroup e Wells Fargo se recusaram a comentar e Brookfield não respondeu a um pedido de comentário.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Principal negociador do Irã diz que Teerã não tem motivos para respeitar memorando com EUA sem benefícios
FMI diz estar trabalhando para avaliar melhor riscos de dívida interna para países de baixa renda
Brasil tem fluxo cambial positivo de US$54 milhões em julho até dia 10, diz BC
Governo passa a ver inflação acima de 5% em 2026
Ações europeias avançam com recuperação do setor de luxo mesmo com persistência dos riscos de guerra
Se confirmado tarifaço dos EUA, governo avaliará setores afetados e atuará com compromisso fiscal, diz Durigan