Dólar fecha abaixo dos R$5,20 após decisões sobre juros no Brasil e nos EUA

Publicado em 29/01/2026 17:56

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 29 Jan (Reuters) - Em uma sessão de volatilidade alta, o dólar fechou a quinta-feira em queda ante o real, abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, no dia seguinte às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.

O dólar à vista fechou com recuo de 0,27%, aos R$5,1941, no menor valor de fechamento desde os R$5,1539 de 28 de maio 2024.

Às 17h09, o dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 0,02% na B3, aos R$5,1965.

No início da sessão o dólar emplacou baixas ante boa parte das moedas de emergentes, como o real do Brasil, o peso do Chile e o peso do México, em mais um dia de fluxo de investimentos para estes países.

O movimento no Brasil ocorreu ainda que, na noite de quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tenha indicado a intenção de começar a cortar juros em março, após ter mantido a Selic em 15%.

"Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros", disse o BC em comunicado. "O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta."

O corte da Selic em março, em tese, tende a tornar o Brasil um pouco menos atrativo aos investimentos estrangeiros, mas agentes do mercado têm ponderado que ainda assim o país seguirá atraente para operações de carry trade, considerando que as taxas no exterior são bem menores.

Nos EUA, a taxa de referência foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75% pelo Federal Reserve na tarde de quarta-feira, mas a instituição deu poucas pistas sobre quando haverá espaço para mais cortes.

Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.

Nas últimas semanas, o forte fluxo de investimentos estrangeiros para mercados emergentes como o Brasil -- com destaque para a bolsa -- vem pesando sobre as cotações do dólar.

Neste cenário, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,1659 (-0,81%) às 11h45 desta quinta-feira, mas na sequência ganhou força até a máxima de R$5,2493 (+0,79%) às 12h18.

A escalada rápida do dólar ante o real esteve em sintonia com uma piora generalizada dos mercados globais após a abertura da bolsa de Nova York, onde os índices eram penalizados pelo mergulho das ações de tecnologia. Também penalizado por Wall Street, o Ibovespa chegou a cair mais de 1%.

Durante a tarde o dólar voltou a perder força ante as divisas de emergentes, o que fez a moeda norte-americana voltar a cair no Brasil, para abaixo dos R$5,20 -- ainda que o Ibovespa seguisse pressionado.

Com o movimento desta quinta-feira, o dólar acumulou queda de 5,37% ante o real em 2026.

Ao avaliar a depreciação recente do dólar, o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, lembrou que isso se deve principalmente a uma maior percepção de risco em relação aos Estados Unidos, e não à perspectiva de corte de juros pelo Federal Reserve.

“A natureza da depreciação do dólar é de perda de confiança nos Estados Unidos, mais do que o processo cíclico de o Fed cortar juros. O que me leva a pensar que isso pode mudar, pode virar”, afirmou à Reuters.

No exterior, às 17h39 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,04%, a 96,199.

(Edição de Alexandre Caverni)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street dispara enquanto traders apostam em possível desescalada
Vendas de diesel no Brasil sobem levemente em fevereiro, gasolina ganha fôlego, mostra ANP
Ibovespa fecha em alta, mas aversão a risco quebra série de ganhos mensais
Dólar fecha abaixo dos R$5,20 com expectativa de desescalada da guerra
Taxas dos DIs desabam com esperança de desescalada da guerra no Oriente Médio
Schmid, do Fed, adverte contra a complacência com a inflação