PIB do Brasil desacelera em 2025 com alta de 2,3% e fecha o ano em estagnação

Publicado em 03/03/2026 10:47 e atualizado em 03/03/2026 11:22

Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO/RIO DE JANEIRO, 3 Mar (Reuters) - A atividade econômica do Brasil teve expansão de 2,3% em 2025 com impulso da agropecuária, mas terminou o ano quase estagnada no quarto trimestre e mostrou perda de força em relação a 2024 diante de uma política monetária restritiva que tende a ser afrouxada neste ano.

O resultado do ano, divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o pior desde 2020, quando a atividade encolheu em meio à pandemia de Covid-19, e veio em linha com o esperado pelo governo. Em 2024, o PIB cresceu 3,4%.

No quarto trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou avanço de 0,1% sobre os três meses anteriores, resultado que ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters.

O PIB mostrou desaceleração no segundo semestre de 2025, depois de ter expandido 1,5% no primeiro trimestre e 0,3% no segundo. No terceiro trimestre, a economia ficou estagnada, em dado revisado pelo IBGE de alta de 0,1% informada antes.

Em relação ao quarto trimestre de 2024, o PIB apresentou alta de 1,8%, também em linha com a expectativa.

"Após três taxas (trimestrais) perto da estabilidade, isso é uma estagnação do crescimento, principalmente no segundo semestre", avaliou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. "Os juros foram os vilões da economia no ano passado, foi o maior impacto sobre o PIB e esse impacto ficou muito claro no segundo semestre."

Analistas vinham indicando uma desaceleração da economia brasileira em 2025 diante da taxa de juros elevada, em 15% desde meados do ano passado. Um mercado de trabalho forte, entretanto, evitou perdas mais fortes.

A expectativa agora é de redução dos juros, começando neste mês. Em janeiro, o BC decidiu manter a Selic em 15%, mas indicou o início do ciclo de cortes na reunião dos próximos dias 17 e 18. A perspectiva econômica, entretanto, sofreu um impacto nesse fim de semana com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que vêm causando preocupações com a inflação devido ao aumento dos preços do petróleo e do gás.

Ainda que o mercado de trabalho possa desacelerar em 2026, ele deve continuar ajudando a economia, que pode ganhar impulso ainda de medidas de estímulo adotadas pelo governo, como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda. A agropecuária deve novamente impulsionar o PIB no início do ano mas, diante de incertezas relacionadas à eleição presidencial, empresas e famílias podem adotar postura mais cautelosa.

"A despeito da queda já esperada da Selic no decorrer do ano, o grau demasiadamente elevado de alavancagem de empresas e famílias deve seguir como freio ao nível de consumo privado", avaliou Matheus Pizzani, economista do PicPay. "Este quadro ganha importância adicional com os desdobramentos recentes envolvendo o cenário geopolítico internacional, que tem tornado os riscos de cauda assimétricos e com viés de alta para variáveis como câmbio e inflação."

O Ministério da Fazenda previu nesta terça-feira que o PIB crescerá 2,3% novamente este ano.

DESACELERAÇÃO

O destaque do PIB em 2025 foi a agropecuária, com expansão de 11,7%, resultado que mais do que recuperou a perda de 3,7% registrada em 2024.

"(A agropecuária) foi responsável por um terço do PIB e, se ela não tivesse crescido, seria um PIB menor. Foi um ano de safra de soja e milho e aumento na laranja, com aumento de produção e produtividade", disse Palis. “O agro sofre menos com juros e é uma atividade exportadora."

Ainda do lado da produção, a indústria cresceu 1,4%, enfraquecendo depois de ter avançado 3,1% no ano anterior. Os serviços --setor que responde por cerca de 70% da economia do país, tiveram avanço de 1,8%, também perdendo ritmo após alta de 3,8% em 2024.

Já do lado das despesas, o consumo das famílias aumentou 1,3% e o do governo cresceu 2,1%, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo, uma medida de investimento, expandiu 2,9%. O consumo do governo acelerou levemente, após alta de 2,0% em 2024, enquanto o consumo das famílias e a FBCF enfraqueceram após altas de 5,1% e 6,9% respectivamente no ano anterior.

Apesar do mercado de trabalho forte, o desempenho do consumo das famílias em 2025 foi o mais fraco desde 2020, quando registrou retração, o mesmo ocorrendo com a indústria e os serviços.

"O consumo das famílias crescendo abaixo do PIB reflete juros mais altos, endividamento elevado e inflação pressionada. Isso foi minimizado pelos bons dados do mercado de trabalho e por programas de transferência de renda", disse Palis.

No setor externo, as exportações de bens e serviços tiveram ganho de 6,2% e as importações de bens e serviços cresceram 4,5%.

No quarto trimestre, os serviços foram o destaque com alta de 0,8% sobre o terceiro trimestre, enquanto a agropecuária cresceu 0,5% e a indústria contraiu 0,7%, no único trimestre do ano em que registrou retração.

As despesas das famílias ficaram estagnadas, enquanto as do governo aumentaram 1,0%. Por outro lado, a Formação Bruta de Capital Fixo contraiu 3,5%, pior resultado desde o segundo trimestre de 2021.

(Por Camila Moreira e Rodrigo Viga Gaier)

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Wall Street cai 2% por preocupações com inflação com conflito no Oriente Médio
Irã não entrou em contato com EUA sobre possíveis negociações de paz, diz enviado de Teerã à ONU
Wall Street abre em queda firme, com conflito no Oriente Médio alimentando temores de inflação
Brasil abre 112.334 vagas formais de emprego em janeiro, acima do esperado
PIB do Brasil desacelera em 2025 com alta de 2,3% e fecha o ano em estagnação
Taxas dos DIs têm alta firme com tensões no Oriente Médio