Aprovação de Trump atinge nova mínima por alta dos combustíveis e guerra, mostra pesquisa Reuters/Ipsos
Por Jason Lange e Bo Erickson
WASHINGTON, 24 Mar (Reuters) - O índice de aprovação do presidente Donald Trump caiu nos últimos dias para o seu ponto mais baixo desde que ele retornou à Casa Branca, atingido por um aumento nos preços dos combustíveis e pela desaprovação generalizada da guerra que ele lançou contra o Irã, segundo uma pesquisa Reuters/Ipsos.
A pesquisa de quatro dias, encerrada na segunda-feira, mostrou que 36% dos norte-americanos aprovam o desempenho de Trump no trabalho, abaixo dos 40% de uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na semana passada.
A opinião dos norte-americanos sobre Trump piorou significativamente em relação à sua administração sobre o custo de vida, já que os preços da gasolina subiram desde que os EUA e Israel lançaram ataques coordenados contra o Irã em 28 de fevereiro. Apenas 25% dos entrevistados aprovavam a maneira como Trump tem lidado com o custo de vida, uma questão que esteve no centro de sua campanha para a eleição presidencial de 2024.
Somente 29% do país aprova a administração econômica de Trump, índice mais baixo em qualquer uma das administrações presidenciais de Trump e mais baixo do que qualquer índice de aprovação econômica de seu antecessor, o democrata Joe Biden. As preocupações dos eleitores com a economia e, especificamente, com o aumento do custo de vida foram um fator significativo na derrota de Biden, e Trump fez campanha com a promessa de criar uma economia vibrante.
Para analistas, a pesquisa aponta para um presidente que enfrenta uma oposição pública significativa.
"É importante que as pessoas saibam que o presidente sente sua dor e que a ajuda está a caminho", disse Amanda Makki, estrategista política e advogada republicana.
PREOCUPAÇÕES COM A GUERRA
A posição de Trump dentro do Partido Republicano continua majoritariamente forte. Apenas cerca de um em cada cinco republicanos disse desaprovar seu desempenho geral na Casa Branca, em comparação com cerca de um em cada sete na semana passada. Mas a parcela de republicanos que desaprovam a maneira como ele lida com o custo de vida aumentou de 27% na semana passada para 34%.
O índice de aprovação de Trump era de 47% nos primeiros dias de seu mandato e, desde o verão passado, vinha se mantendo em torno de 40%. Ele permanece acima do ponto mais baixo de seu primeiro governo, de 33%, e um pouco acima do ponto mais baixo de Biden, de 35%.
A guerra contra o Irã pode estar mudando isso para um presidente que assumiu o cargo prometendo evitar "guerras estúpidas". A pesquisa revelou que 35% dos norte-americanos aprovam os ataques dos EUA ao Irã, abaixo dos 37% de uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na semana passada. Cerca de 61% desaprovaram os ataques, em comparação com 59% na semana passada.
As pesquisas anteriores Reuters/Ipsos foram realizadas logo após os primeiros ataques norte-americanos e israelenses, quando muitos norte-americanos ainda estavam se informando sobre a situação, e os entrevistados tinham a opção de dizer que não tinham certeza de suas opiniões.
Uma pesquisa Reuters/Ipsos de 28 de fevereiro a 1º de março revelou que 27% aprovavam os ataques, 43% desaprovavam e 29% não tinham certeza.
As pesquisas mais recentes não dão a opção de não ter certeza, embora 5% dos entrevistados da última pesquisa tenham se recusado a responder à pergunta sobre sua opinião a respeito da guerra.
MAIS TROPAS
Cerca de 46% dos entrevistados responderam que a guerra no Irã tornará os EUA menos seguros no longo prazo, de acordo com a pesquisa. Apenas 26% disseram que isso tornará o país mais seguro e o restante avaliou que não haverá muito efeito de qualquer maneira. Embora Trump tenha sugerido nos últimos dias que a guerra pode acabar em breve, o Irã contestou as alegações de Trump de que as negociações estavam em andamento e a Reuters informou nesta terça-feira que Washington deve enviar milhares de soldados adicionais para o Oriente Médio.
O preço médio da gasolina nos Estados Unidos aumentou cerca de um dólar por galão desde o início da guerra, já que o conflito reduziu severamente as remessas de petróleo do Oriente Médio para o resto do mundo. Especialistas alertam que a persistência do aumento dos preços dos combustíveis acabará por afetar a economia em geral.
Cerca de 63% dos norte-americanos já consideram a economia dos EUA "um pouco fraca" ou "muito fraca", segundo a pesquisa. Isso inclui 40% dos republicanos, 66% dos independentes e 84% dos democratas.
"Isso oferece uma grande oportunidade para que os democratas façam grandes avanços nas eleições de meio de mandato, concentrando-se em questões que tradicionalmente são mais republicanas, como segurança nacional, economia e imigração", disse Doug Farrar, estrategista democrata.
Houve poucos sinais de que o declínio da popularidade de Trump também estivesse prejudicando seus aliados republicanos que buscam manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato em novembro. Cerca de 38% dos eleitores registrados na pesquisa Reuters/Ipsos disseram que os republicanos são os melhores administradores da economia dos EUA, em comparação com 34% que escolheram os democratas para essa questão.
A pesquisa, que foi realizada online e em todo o país, reuniu respostas de 1.272 adultos norte-americanos e teve uma margem de erro de 3 pontos percentuais.