Ataques iranianos representam "ameaça existencial", dizem países do Golfo na ONU
Por Emma Farge
GENEBRA, 25 Mar (Reuters) - Os Estados árabes do Golfo disseram ao Conselho de Direitos Humanos da ONU na quarta-feira que enfrentam uma ameaça existencial com ataques iranianos à sua infraestrutura, os quais, segundo o chefe de direitos humanos da ONU, podem constituir crimes de guerra.
A guerra de EUA e Israel contra o Irã, que já dura quase um mês, provocou uma retaliação iraniana em grande escala na forma de ataques com drones e mísseis contra a infraestrutura de energia e civil nos países do Golfo, matando civis e elevando os preços do petróleo.
"Estamos vendo uma ameaça existencial à segurança internacional e regional. Essa abordagem agressiva está minando o direito internacional e a soberania", afirmou o embaixador do Kuweit, Naser Abdullah H. M. Alhayen, ao conselho sediado em Genebra.
Outros países do Golfo disseram que as ações do Irã visam espalhar o terror, com o embaixador dos Emirados Árabes Unidos, Jamal Jama al Musharakh, denunciando a "tentativa do Irã de desestabilizar a ordem internacional por meio de aventuras imprudentes de expansionismo".
Os países do conselho de 47 membros votarão em uma moção condenando os ataques "não provocados e deliberados" do Irã, buscando reparações do Irã e pedindo ao chefe de direitos da ONU que monitore a situação, segundo um documento.
O Irã defendeu suas ações, dizendo que mais de 1.500 civis foram mortos nos ataques israelenses e norte-americanos até o momento. "Lutamos em nome de todos vocês contra um inimigo que, se não for contido hoje, estará além da contenção amanhã", disse o embaixador do Irã na ONU em Genebra, Ali Bahreini, referindo-se a Israel.
O Irã convocou sua própria sessão de emergência sobre um ataque fatal a uma escola primária para sexta-feira.
Volker Turk, principal autoridade das Nações Unidas responsável pelos direitos humanos, pediu aos Estados que ponham fim ao conflito com o Irã, descrevendo a situação como extremamente perigosa e imprevisível.
"Os ataques a civis e à infraestrutura civil precisam acabar. Se forem deliberados, esses ataques podem constituir crimes de guerra", disse ele ao conselho.