Ibovespa ensaia melhora com Petrobras; Braskem desaba mais de 10%
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - O Ibovespa afastava-se das mínimas nesta sexta-feira, ultrapassando os 183 mil pontos no melhor momento, com Petrobras entre os principais suportes, mas a melhora era frágil, diante de preocupações atreladas à situação no Oriente Médio.
No noticiário corporativo, Braskem ocupava os holofotes após reportar prejuízo de mais de R$10 bilhões no quarto trimestre, o que fazia suas ações desabarem mais de 10%.
Por volta de 13h05, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, tinha variação positiva de 0,02%, a 182.766,27 pontos, após marcar 183.350,70 pontos na máxima e 181.284,59 pontos na mínima até o momento.
O volume financeiro somava R$10,53 bilhões.
Ainda na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que faria uma pausa nos ataques às usinas de energia do Irã por dez dias, a pedido de Teerã, e afirmou que as negociações com o Irã estavam indo "muito bem".
Uma autoridade iraniana, porém, afirmou à Reuters que a proposta dos EUA para encerrar quase quatro semanas de combates é "unilateral e injusta".
Em meio ao noticiário contraditório, o barril de petróleo sob o contrato Brent avançava mais de 3%, a US$111,59, enquanto o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, cedia 0,86%.
Apesar do cenário mais adverso no exterior, dados da B3 continuam a mostrar fluxo de estrangeiros para as ações brasileiras, com o saldo em março positivo em mais de R$7 bilhões até o dia 24.
Estrategistas do Goldman Sachs veem o Brasil como um dos países bem posicionados em relação a outros mercados emergentes no contexto do conflito no Irã, conforme relatório da área de renda variável do banco enviado a clientes nessa semana.
Entre os argumentos, eles apontaram a correlação positiva com o mercado de petróleo, valuations razoáveis e um ciclo de alívio monetário em andamento.
DESTAQUES
- BRASKEM PNA recuava 10,64% após mostrar um prejuízo de R$10,28 bilhões no quarto trimestre de 2025, com a petroquímica citando baixa de ativos fiscais diferidos, sem efeito na liquidez da companhia, com impacto líquido R$7,7 bilhões. A receita líquida encolheu 16%, para R$16,1 bilhões, enquanto o custo do produto vendido cedeu 8%, para R$16,65 bilhões. O Ebitda recorrente subiu 6%, para R$589 milhões.
- PETROBRAS PN subia 2,04%, apoiada em nova alta dos preços do petróleo no exterior. No setor, PRIO ON avançava 3,77%, tendo também no radar anúncio de que abriu o segundo poço produtor do campo de Wahoo, na Bacia de Campos. PETRORECONCAVO ON valorizava-se 2,71% e BRAVA ENERGIA ON perdia 0,2%.
- ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,86%, em sessão negativa para a maioria dos bancos do Ibovespa. Além do exterior negativo, investidores acompanham eventuais medidas do governo brasileiro para lidar com o endividamento da população. BRADESCO PN caía 0,48% e BANCO DO BRASIL ON recuava 0,95%, mas SANTANDER BRASIL UNIT avançava 0,51%.
- VALE ON avançava 0,49%, mesmo com o declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian caiu 0,49%.
- DASA ON, que não está no Ibovespa, desabava 16,13%, após reportar prejuízo de R$947,7 milhões no quarto trimestre, quase 14% maior do que a perda registrada um ano antes, refletindo impactos relacionados à equivalência patrimonial da Rede Américas e efeito não recorrente associado à venda do Hospital São Domingos, cujo resultado contábil negativo foi de aproximadamente R$400 milhões.
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(Por Paula Arend Laier)