Bom desempenho em pesquisas dá a Flávio tempo para escolher equipe econômica
Por Marcela Ayres, Luciana Magalhães e Ricardo Brito
BRASÍLIA, 1 Abr (Reuters) - O bom desempenho nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) permitiu que ele adiasse a nomeação de seus principais assessores econômicos, segundo auxiliares do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo com outros concorrentes de direita entrando em campo para a eleição de outubro.
Desde que anunciou sua candidatura no ano passado, o senador passou a maior parte do tempo viajando para o exterior para se encontrar com aliados conservadores, além de visitar seu pai, que está cumprindo pena em Brasília por tentativa de golpe de Estado.
Apesar da pouca movimentação, o senador de 44 anos já está empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de intenção de voto que simulam um provável confronto de segundo turno entre ambos, conforme o presidente de 80 anos enfrenta um esfriamento da economia, ameaças inflacionárias e impactos do escândalo do Banco Master que abala Brasília.
Duas fontes próximas ao senador disseram que a vantagem que ele ganhou ao apenas sinalizar uma plataforma amplamente alinhada com a abordagem de seu pai deve lhe dar poder de barganha para escolher assessores e elaborar propostas para consolidar uma coalizão forte.
Se a tendência continuar, o anúncio de sua equipe econômica, que estava programado para maio, pode ser adiado ainda mais, disse uma das fontes. Em dezembro, um assessor sugeriu que Flávio poderia apresentar seu programa econômico até fevereiro.
É um grande contraste com a campanha de 2018 conduzida por Bolsonaro, então deputado federal de baixa expressividade na cena política, que escolheu o então futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, como seu guru econômico polivalente quase um ano antes da eleição para tranquilizar os investidores apreensivos com a condução da política econômica sob seu governo.
A abordagem mais cautelosa de Flávio até agora enfrentará um novo teste com a chegada de outros candidatos de direita. O PSD escolheu nesta semana Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, está concorrendo pelo Novo.
"Será uma campanha turbulenta", disse Carlos Melo, cientista político do Insper, em São Paulo, sobre o campo conservador mais concorrido, observando que os governadores têm poucas chances de superar Flávio.
Na segunda-feira, Caiado fez um apelo direto aos apoiadores de Jair Bolsonaro, prometendo uma ampla anistia aos condenados por atos ligados a um plano de golpe de Estado em 2023, incluindo o ex-presidente, que agora está cumprindo sua sentença em casa devido a problemas de saúde.
Zema disse à Reuters que aproveitará seu histórico na administração pública em Minas Gerais e sua ficha limpa em um país assolado por escândalos de corrupção para oferecer aos eleitores uma alternativa à direita, minimizando a escalada difícil que enfrenta nas primeiras pesquisas.
"Todas as campanhas políticas são imprevisíveis", disse Zema.
Flávio Bolsonaro, que era deputado estadual do Rio de Janeiro antes de a campanha de seu pai em 2018 ajudá-lo a conquistar uma cadeira no Senado, ofereceu poucos detalhes de suas propostas econômicas, prometendo cortar impostos e gastos e, ao mesmo tempo, melhorar o ambiente de negócios.
Seus assessores disseram que o impulso nas pesquisas deve ajudar a atrair mais interesse de possíveis membros do gabinete.
Fontes próximas a Flávio disseram que seu entorno fez contato informal com possíveis assessores, incluindo o ex-secretário do Tesouro Mansueto Almeida, agora no BTG Pactual, e o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, agora vice-presidente do conselho do banco digital Nubank.
Ambos trabalharam no governo Bolsonaro.
Em uma conferência em Boston no fim de semana, Mansueto disse que continua no setor privado e não foi procurado por nenhum candidato. Campos Neto não respondeu a um pedido de comentário.
(Reportagem de Marcela Ayres e Ricardo Brito, em Brasília, e Luciana Magalhães, em São Paulo)
((Tradução Redação São Paulo))
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