Trump diz que EUA vão trabalhar em estreita colaboração com Irã e discutir sanções
WASHINGTON, 8 Abr (Reuters) - Os Estados Unidos trabalharão em estreita colaboração com o Irã e os dois países estão discutindo o alívio de tarifas e sanções, disse o presidente norte-americano Donald Trump na quarta-feira, após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas.
Trump recuou da iminência de um ataque total ao Irã na noite de terça-feira, duas horas antes do prazo que ele havia estabelecido para que Teerã abrisse o Estreito de Ormuz.
Ele afirmou nas redes sociais que muitos dos 15 pontos do plano dos EUA proposto ao Irã foram acordados, mas não deu detalhes.
"Estamos, e continuaremos, conversando com o Irã sobre o alívio de tarifas e sanções", disse Trump em uma publicação nas redes sociais.
Apesar de seus comentários eufóricos e do alívio generalizado nas ruas do Irã e nos mercados financeiros globais com o cessar-fogo, as principais divergências entre Washington e Teerã permanecem sem solução e os dois lados mantêm exigências conflitantes para um possível acordo de paz.
Trump também afirmou na quarta-feira que qualquer país que fornecer armas ao Irã enfrentará imediatamente uma tarifa de 50% sobre quaisquer bens exportados para os EUA.
Pequim e Moscou ajudaram o Irã a construir capacidade militar para contrabalançar a pressão dos EUA e de Israel, fornecendo mísseis, sistemas de defesa aérea e tecnologia destinados a reforçar a dissuasão, complicar as operações dos EUA e aumentar os custos de um ataque. Mas Rússia e China têm sido contidas em seu apoio durante os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã.
"MUDANÇA DE REGIME MUITO PRODUTIVA"
Trump elogiou na quarta-feira os atuais líderes do Irã após os ataques dos EUA e de Israel terem matado várias autoridades, incluindo o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. Ele foi substituído por seu filho, Mojtaba Khamenei.
"Os Estados Unidos trabalharão em estreita colaboração com o Irã, que, segundo nossa avaliação, passou por uma mudança de regime muito produtiva!", escreveu Trump em uma publicação no Truth Social.
"Não haverá enriquecimento de urânio, e os Estados Unidos, em colaboração com o Irã, irão desenterrar e remover toda a 'poeira' nuclear (dos bombardeiros B-2) profundamente enterrada."
A guerra travada por EUA e Israel ainda não privou o Irã de seu estoque de urânio altamente enriquecido, quase pronto para uso em armas, nem de sua capacidade de atingir seus vizinhos com mísseis e drones. E a liderança clerical do Irã, que enfrentou uma revolta popular meses atrás, resistiu ao ataque de seis semanas sem demonstrar qualquer sinal de oposição interna.
(Reportagem de Doina Chiacu e Susan Heavey)