Dólar na beirada dos R$ 4,80. Petróleo vai, petróleo vem, e sempre puxa tudo

Publicado em 05/05/2026 16:07

Por Ronaldo Fernandes

O dólar caiu mais de 1%  para  R$ 4,90. O mercado está trabalhando exatamente naquilo que mais importa agora no Oriente Médio: não é a guerra por si só. É saber se o Estreito de Hormuz está operando ou não e se instalações de petróleo e energia seguem ou não como alvo. Se o estreito volta a funcionar e não há ataque a bases de energia, o preço do petróleo cai. E quando o petróleo cai forte, o dólar aqui sente na hora. Hoje o barril teve queda próxima de 4% e ajudou a empurrar o câmbio para baixo.

Teve dois fatos claros por trás disso. O primeiro foi a fala do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. Ele disse que o cessar-fogo com o Irã não acabou, que os EUA conseguiram garantir um caminho pelo Estreito de Hormuz e que centenas de navios comerciais estão alinhados para passar pela rota. A frase mais importante foi no sentido de tirar do Irã a maior barganha dessa crise, que é o controle do estreito. O recado foi direto: os iranianos dizem que controlam Hormuz, mas não controlam. Isso muda preço porque, se os EUA conseguem abrir passagem, a principal alavanca de pressão iraniana perde força.

O segundo fato foi a confirmação prática da travessia. Não ficou só na fala. O CENTCOM informou que dois navios mercantes com bandeira dos EUA conseguiram cruzar o Estreito de Hormuz com apoio de destróieres da Marinha americana. Além disso, a Maersk confirmou que o Alliance Fairfax saiu do Golfo, cruzou Hormuz com escolta militar dos EUA e completou a travessia sem incidente. O mercado leu isso como sinal de que a escolta pode, de fato, funcionar. E aí a lógica é simples: se Hormuz volta a operar, o petróleo desmonta prêmio de risco.

Para completar a queda do dólar, veio a ata do Copom. O Banco Central cortou 0,25 ponto e levou a Selic para 14,50% ao ano, mas não deixou evidente continuidade de corte. A ata foi toda construída em cima de cautela, ajuste fino e dependência dos dados. O BC colocou peso maior no ambiente externo, citou o Oriente Médio como fator de incerteza para commodities, energia e condições financeiras, e voltou a bater na tecla de inflação e expectativas ainda acima da meta. Então o mercado leu assim: teve corte, mas sem porta aberta escancarada para novos cortes rápidos. Isso ajuda a segurar a curva, melhora a leitura relativa de juros no Brasil e também ajuda o dólar a ceder.

No fim, a queda do dólar hoje veio da soma dessas duas pontas. Petróleo caindo forte porque aumentou a confiança de que Hormuz pode voltar a funcionar, e ata do Copom sem dovish claro, sem afobação para continuar cortando juros. O petróleo vai, o petróleo vem, e sempre puxa tudo. Hoje puxou o dólar para baixo.

Fonte: Royal Rural

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