Dólar na beirada dos R$ 4,80. Petróleo vai, petróleo vem, e sempre puxa tudo
Por Ronaldo Fernandes
O dólar caiu mais de 1% para R$ 4,90. O mercado está trabalhando exatamente naquilo que mais importa agora no Oriente Médio: não é a guerra por si só. É saber se o Estreito de Hormuz está operando ou não e se instalações de petróleo e energia seguem ou não como alvo. Se o estreito volta a funcionar e não há ataque a bases de energia, o preço do petróleo cai. E quando o petróleo cai forte, o dólar aqui sente na hora. Hoje o barril teve queda próxima de 4% e ajudou a empurrar o câmbio para baixo.
Teve dois fatos claros por trás disso. O primeiro foi a fala do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth. Ele disse que o cessar-fogo com o Irã não acabou, que os EUA conseguiram garantir um caminho pelo Estreito de Hormuz e que centenas de navios comerciais estão alinhados para passar pela rota. A frase mais importante foi no sentido de tirar do Irã a maior barganha dessa crise, que é o controle do estreito. O recado foi direto: os iranianos dizem que controlam Hormuz, mas não controlam. Isso muda preço porque, se os EUA conseguem abrir passagem, a principal alavanca de pressão iraniana perde força.
O segundo fato foi a confirmação prática da travessia. Não ficou só na fala. O CENTCOM informou que dois navios mercantes com bandeira dos EUA conseguiram cruzar o Estreito de Hormuz com apoio de destróieres da Marinha americana. Além disso, a Maersk confirmou que o Alliance Fairfax saiu do Golfo, cruzou Hormuz com escolta militar dos EUA e completou a travessia sem incidente. O mercado leu isso como sinal de que a escolta pode, de fato, funcionar. E aí a lógica é simples: se Hormuz volta a operar, o petróleo desmonta prêmio de risco.
Para completar a queda do dólar, veio a ata do Copom. O Banco Central cortou 0,25 ponto e levou a Selic para 14,50% ao ano, mas não deixou evidente continuidade de corte. A ata foi toda construída em cima de cautela, ajuste fino e dependência dos dados. O BC colocou peso maior no ambiente externo, citou o Oriente Médio como fator de incerteza para commodities, energia e condições financeiras, e voltou a bater na tecla de inflação e expectativas ainda acima da meta. Então o mercado leu assim: teve corte, mas sem porta aberta escancarada para novos cortes rápidos. Isso ajuda a segurar a curva, melhora a leitura relativa de juros no Brasil e também ajuda o dólar a ceder.
No fim, a queda do dólar hoje veio da soma dessas duas pontas. Petróleo caindo forte porque aumentou a confiança de que Hormuz pode voltar a funcionar, e ata do Copom sem dovish claro, sem afobação para continuar cortando juros. O petróleo vai, o petróleo vem, e sempre puxa tudo. Hoje puxou o dólar para baixo.
0 comentário
Wall Street encerra em baixa por crescentes preocupações com inflação
Dólar sobe aos R$5,0664 puxado pelo cenário político no Brasil e pelo exterior
Ibovespa fecha em queda com ruído político local
Governo revisa regra que exigia publicação das margens de distribuidoras de combustíveis
Wall St cai na abertura com salto de rendimentos por preocupações com a inflação
Dólar supera R$5,05 pressionado por exterior e política local