Banco do Brasil corta previsão de lucro para 2026 após queda de mais de 50% no 1º tri

Publicado em 13/05/2026 20:17

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 13 Mai (Reuters) - O Banco do Brasil cortou nesta terça-feira sua projeção de lucro para 2026 para um intervalo de R$18 bilhões a R$22 bilhões, em meio a uma queda de mais de 50% no lucro líquido ajustado do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025.

O BB teve lucro líquido ajustado de R$3,4 bilhões de janeiro ao final de março, queda de 53,5% sobre o resultado do mesmo período de 2025, segundo balanço apresentado também nesta terça-feira. Estimativas compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$3,495 bilhões. Na comparação trimestral, o lucro caiu 40,2%.

O BB também elevou sua estimativa para o custo de crédito no ano para R$65 bilhões a R$70 bilhões, após esse indicador ficar em quase R$18,9 bilhões nos primeiros três meses de 2026, alta de 85,8% ano a ano e de 5% no trimestre.

A presidente-executiva do banco, Tarciana Medeiros, afirmou que o resultado reflete um ambiente mais desafiador para o risco de crédito, com maior pressão especialmente na carteira de agronegócios.

Ao final de março, a carteira de crédito expandida do banco estatal somava R$1,3 trilhão, acréscimo de 2,2% na base anual e de 0,7% frente ao final de dezembro do ano passado. O índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 5,05%, de 3,63% um ano antes e 5,17% em dezembro de 2025.

A carteira do crédito rural, que somou R$418,4 bilhões, alta de 3% ano a ano e no trimestre, registrou um índice de inadimplência acima de 90 dias de 6,22%, de 2,76% um ano antes e 6,09% nos últimos três meses de 2025. O destaque ficou para a linha de custeio, com esse índice em 10,56%.

Principal financiador do agronegócio no país, o BB tem visto seu resultado pressionado desde o ano passado pelo setor e recentemente sinalizou que os primeiros meses do ano ainda mostrariam números pressionados.

“Entre as medidas para enfrentar o ciclo de agravamento da inadimplência do agronegócio, ampliamos e evoluímos no uso de garantias por alienação fiduciária e revisamos as esteiras de cobranças", disse Medeiros em nota à imprensa após a divulgação do balanço.

Segundo a executiva, "nos primeiros meses de 2026, já dobramos o número de judicializações realizadas durante todo o ano passado. Isso reflete o nosso direcionamento de buscar a recuperação dos nossos ativos”.

Em pessoa física, a carteira de crédito expandida cresceu 1,4% no trimestre e 7,7% em 12 meses, para R$361,8 bilhões, com o banco citando entre os principais apoios o desempenho do crédito consignado, influenciado pelo aumento nas operações do "Crédito ao Trabalhador". A inadimplência da pessoa física acima de 90 dias ficou em 6,82%, de 5,10% um ano antes e 6,56% em dezembro de 2025.

O portfólio de crédito expandido da pessoa jurídica somou R$449 bilhões, quedas de 2,4% no ano e de 1,3% no trimestre, afetada pela carteira de micro, pequenas e médias empresas, que registrou contração de 10% em 12 meses e de 3,3% na comparação com o final do ano passado. A carteira expandida de grandes empresas registrou queda de 1,9% na base anual e de 1,5% no trimestre. O índice de inadimplência acima de 90 dias encerrou março em 2,87%, de 3,71% um ano antes e 3,75% no final de 2025.

MARGEM FINANCEIRA E ROE

A margem financeira bruta do BB atingiu R$27,4 bilhões nos primeiros três meses de 2026, alta de 14,8% ano a ano, em meio ao avanço das receitas financeiras (+12,3%). Na base trimestral, porém, caiu 1,3%, segundo o banco, "em linha com a sazonalidade do período, influenciada principalmente, pela redução das despesas de captação, em função de menores volumes de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e pelo efeito calendário (3 dias úteis a menos).

Para o ano, o BB revisou sua expectativa de crescimento da margem bruta para 7% a 11%, de expansão entre 4% e 8%, anteriormente.

Medeiros destacou que a evolução da margem financeira é fruto do crescimento do crédito, especialmente nas linhas de melhor risco versus retorno, com um mix concentrado na pessoa física em crédito consignado e consignado privado. A executiva também destacou que as despesas seguem sob controle, "sem comprometer nossos investimentos em tecnologia e nas pessoas”.

No primeiro trimestre, as receitas de prestação de serviços cresceram 5,5% ano a ano, mas ficaram praticamente estáveis na base trimestral (-0,2%), em R$8,8 bilhões. As despesas administrativas também avançaram, 5,5% ano a ano e 1,3% no trimestre, para R$10 bilhões.

O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do BB, por sua vez, ficou em 7,3%, de 16,7% um ano antes e 12,4% nos últimos três meses de 2025, mas ligeiramente acima das previsões compiladas pela LSEG, que apontavam 6,98%. 

O BB terminou o trimestre com índice de Basileia de 14,23%, sendo o índice de capital principal de 11,59%. O índice de eficiência ficou em 28%, de 26,5% um ano antes. 

Ao final de março, o total de ativos do banco somava R$2,6 trilhões e o BB tinha 3.942 agências, de 3.955 no final de dezembro e 3.997 no mesmo período de 2025.

O BB também divulgou nesta quarta-feira que aprovou a distribuição de R$465,7 milhões em remuneração aos acionistas sob a forma de Juros sobre Capital Próprio (JCP), montante relativo ao primeiro trimestre de 2026. Os valores serão pagos em 11 de junho, tendo como base a posição acionária de 1º de junho.

(Reportagem adicional de Fernando Cardoso; edição de Alberto Alerigi Jr.)

Fonte: Reuters

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