Ibovespa fecha abaixo de 174 mil pontos e tem pior mês desde 2023 com saída de estrangeiros

Publicado em 29/05/2026 17:57 e atualizado em 29/05/2026 19:27

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, acumulando a sétima semana negativa seguida e confirmando o pior desempenho mensal desde 2023, em uma correção ditada pela saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira. 

Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa caiu 0,73%, a 173.787,49 pontos, somando uma perda de 1,37% na semana e de 7,22% em maio.

A série de perdas semanais é a maior desde uma sequência também de sete quedas entre abril e maio de 2004. De acordo com dados da LSEG, considerando a série histórica até 1982, o Ibovespa nunca caiu por mais do que sete semanas consecutivas.

A queda no mês foi a maior desde o declínio registrado em fevereiro de 2023 (-7,49%) -- um movimento que tem como pano de fundo um saldo de capital externo negativo em R$14,1 bilhões em maio até o dia 27, excluindo ofertas de ações (IPOs e follow-ons).

Estrategistas têm apontado que o desempenho de maio reflete uma rotação de volta para o setor de tecnologia nos EUA e Ásia, bem como perspectiva de um ciclo de cortes mais lento da Selic e incerteza com o cenário eleitoral.

O UBS cortou a recomendação das ações brasileiras de "atrativas" para "neutra" nesta semana, citando uma mudança no perfil de risco versus retorno, enquanto mantém uma visão positiva para mercados emergentes da uma forma mais ampla.

"Três fatores adversos convergentes agora alteram, em nossa visão, o equilíbrio de risco-retorno: o aumento da incerteza política relacionada às eleições, um ciclo de afrouxamento monetário do BC mais curto e menos intenso, e a aceleração do afrouxamento fiscal no período pré-eleitoral", pontuou a equipe do banco em relatório. "Embora os fundamentos permaneçam resilientes, essas dinâmicas devem manter o equilíbrio entre risco e retorno até a eleição de outubro."

O desempenho em maio poderia ter sido pior, uma vez que o Ibovespa chegou a 172.686,36 pontos na mínima desta sexta-feira, menor patamar intradia desde 22 de janeiro. Na máxima, marcou 175.064,44 pontos. 

O volume financeiro nesta sexta-feira na bolsa somou R$46,67 bilhões, influenciado por operações relacionadas ao rebalanceamento de índices MSCI Global Standard que passou a vigorar no fechamento desta sexta-feira. No caso do MSCI Brasil, foram incluídas as ações do Itaú Unibanco e da Aura Minerals e excluído o papel da Totvs.

O último pregão da semana incluiu a análise de dados do PIB brasileiro no primeiro trimestre, que mostraram a atividade econômica acelerando ante o final de 2025, bem como repercussão da decisão dos Estados Unidos de designar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como "Organizações Terroristas Estrangeiras".

O noticiário sobre o conflito no Oriente Médio também continuou sob o foco de atenção -- e nesta sessão corroborou o arrefecimento das perdas, principalmente após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que decidirá nesta sexta-feira sobre um possível acordo com o Irã para estender o cessar-fogo.

"O Irã precisa concordar que nunca terá uma arma nuclear ou uma bomba. O Estreito de Ormuz precisa ser imediatamente aberto, sem pedágios, para o tráfego marítimo irrestrito, em ambas as direções", disse Trump, acrescentando que o material nuclear seria "desenterrado" pelos EUA. 

Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters que um entendimento político sobre a guerra havia sido alcançado, mas ainda não estava finalizado.

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,22%, renovando recorde, com apoio de ações de setores relacionados à inteligência artificial e esperanças sobre um desfecho para a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.

DESTAQUES

• VALE ON fechou em baixa de 1,36%, principal pressão negativa do Ibovespa. No setor de mineração e siderurgia, USIMINAS PNA destoou e subiu 4,04%, enquanto CSN MINERAÇÃO ON cedeu 0,85, CSN ON caiu 1,32% e GERDAU PN recuou 3,11%. Do noticiário, o Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) aprovou a inclusão de barras de aço carbono na lista de "elevações tarifárias temporárias por desequilíbrios comerciais conjunturais", aumentando a relação de itens abrangidos pela medida para 20 e atendendo pleito do Aço Brasil (IABr), que representa siderúrgicas nacionais. Dessa forma, a tarifa da barra de aço passou de 10,8% para 25%. Investidores também estão acompanhando o começo das negociações entre os países membros do USMCA (Acordo Estados Unidos-México-Canadá), com foco particular no comércio de aço e nas exigências de conteúdo regional e seus potenciais reflexos para Gerdau.

• PETROBRAS PN cedeu 1,2% e PETROBRAS ON perdeu 1,7%, em dia de queda do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent para julho fechou em baixa de 1,8%, a US$92,05. A presidente da estatal, Magda Chambriard, também disse nesta sexta-feira que a Petrobras estuda dobrar a capacidade das fábricas de fertilizantes nitrogenados nos Estados de Sergipe e Bahia, além da unidade em construção em Mato Grosso do Sul. No setor, PETRORECONCAVO ON recuou 1,81% e PRIO ON caiu 1,14%, enquanto BRAVA ENERGIA ON terminou com variação positiva de 0,05%.

• ITAÚ UNIBANCO PN encerrou com acréscimo de 0,1%, único sinal positivo entre os bancos do Ibovespa, em meio à análise de possíveis implicações para o setor com a decisão dos EUA relacionada ao PCC e ao CV. BRADESCO PN recuou 1,12%, BANCO DO BRASIL ON cedeu 1,5%, BTG PACTUAL UNIT caiu 1,01% e SANTANDER BRASIL UNIT perdeu 0,22%.  Também no noticiário do setor, o Banco Central publicou nesta sexta-feira resolução para regulamentar conceitos relacionados a informações de instituições financeiras associadas ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A ação da Itaú também foi incluída na nova composição do índice MSCI Brasil, que passou a valer no fechamento desta sexta-feira.

• CAIXA SEGURIDADE ON subiu 1,55%, em dia positivo no setor, com BB SEGURIDADE ON mostrando elevação de 2,37%.

• HAPVIDA ON recuou 2,64%, após a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovar nesta sexta-feira 5,11% como reajuste máximo anual dos planos de assistência médica individuais e familiares, percentual que analistas afirmaram ter ficado abaixo das suas expectativas. "O anúncio...não é um bom sinal para enfrentar as persistentes pressões de custos do setor, incluindo despesas judiciais ainda elevadas", afirmaram analistas do Citi. Analistas do UBS BB destacaram que o percentual reforça a normalização em curso dos reajustes regulados após o pico pós-pandemia, "mas a magnitude da surpresa negativa - cerca de 1 ponto percentual abaixo do consenso - é claramente negativa para as expectativas de crescimento de receita no segmento regulado". No setor, REDE D'OR ON, que controla a SulAmérica, e BRADSAÚDE ON caíram 1,31% e 0,95%, respectivamente.

• TOTVS ON avançou 4,16%, no segundo pregão seguido de alta, ainda embalada pelos resultados e perspectivas da plataforma de dados em nuvem norte-americana Snowflake divulgados no final da quarta-feira, bem como acordo de US$6 bilhões da companhia com a Amazon. Na visão de analistas do UBS BB, a notícia tem uma leitura positiva para Totvs. "À medida que empresas globais de software comecem a divulgar evidências mais convincentes sobre os benefícios da inteligência artificial — tanto para crescimento quanto para expansão de margens, e não o contrário — a confiança dos investidores no setor tende a aumentar, embora o momento exato dessa mudança de percepção ainda seja incerto", afirmaram em relatório a clientes. A ação da Totvs também deixou de fazer parte da nova composição do índice MSCI Brasil, que passou a valer no fechamento desta sexta-feira.

(Por Paula Arend Laier, edição de Igor Sodré)

Fonte: Reuters

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