Dólar mostra estabilidade ante real com mercado à espera do Fed
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 29 Jul (Reuters) - O dólar iniciou a quarta-feira próximo da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana tinha sinais mistos ante as demais divisas, com investidores à espera da decisão sobre juros do Federal Reserve, à tarde.
Às 9h46, o dólar à vista caía 0,05%, aos R$5,1191 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para agosto -- o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,23%, aos R$5,1195.
O Fed anunciará sua decisão sobre juros às 15h desta quarta-feira. A expectativa majoritária no mercado é de que a taxa norte-americana seja mantida na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas os investidores estarão atentos às indicações sobre o futuro da política monetária no contexto da guerra no Oriente Médio.
O mercado precifica atualmente em quase 80% a probabilidade de alta de juros no encontro seguinte do Fed, em setembro.
No Brasil, por sua vez, o mercado mantém as apostas de corte da taxa básica Selic em 25 pontos-base no início de agosto. Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano.
Essa perspectiva de corte da Selic, somada à possibilidade de elevação dos juros norte-americanos, sugere um estreitamento do diferencial de juros entre Brasil e EUA, o que em tese pode reduzir a atratividade brasileira ao capital externo. Nos últimos meses, esse diferencial de juros vinha sendo apontado como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil.
Enquanto aguardam a decisão do Fed, os investidores têm mais uma sessão até o momento de alta firme do petróleo, para perto dos US$90 o barril -- um fator que é favorável ao real, já que o Brasil é exportador da commodity.
Em relação às demais divisas, o dólar sustenta ganhos ante o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, mas cai ante a rupia indiana e o peso colombiano.
Internamente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta quarta-feira que a Selic elevada deverá ser tratada no próximo mandato presidencial, independentemente de quem for eleito em outubro.
"Nós temos uma taxa de juros alta e ela precisa ser endereçada no próximo mandato de qualquer que seja o presidente do país, em benefício das empresas e da população", afirmou o ministro.
(Edição de Camila Moreira)