Ibovespa recua em dia de vencimento de opções e balanços; estrangeiro continua saindo
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 14 Ago (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta sexta-feira, caminhando para a nona queda diária seguida, em sessão marcada por vencimento de opções sobre ações e repercussão de nova série de resultados corporativos.
Por volta de 12h15, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,95%, a 165.509,85 pontos, reduzindo ainda mais a alta acumulada no ano, agora em apenas 2,7%.
O volume financeiro na bolsa somava R$9,42 bilhões.
De acordo com o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o principal tema para os ativos brasileiros continua sendo a combinação entre risco fiscal e incerteza eleitoral.
"A percepção de que o próximo governo terá dificuldades para promover um ajuste fiscal consistente começa a se transformar em prêmio de risco nos preços dos ativos", afirmou.
"A preocupação aumenta com a proximidade das eleições e com a saída acelerada de capital estrangeiro", acrescentou Mollo.
Após saldo positivo em julho, dados da B3 mostram uma saída líquida de R$13,56 bilhões em capital externo da bolsa em agosto até o dia 12.
"O mercado deve continuar acompanhando de perto o resultado das eleições, já que ele poderá influenciar os rumos da política fiscal nos próximos anos", afirmou o Bank of America em relatório a clientes.
"A confiança na condução das contas públicas tornou-se o fator decisivo", acrescentou.
No exterior, o S&P 500 rondava a estabilidade, um dia após renovar recorde, enquanto o barril do petróleo sob o contrato Brent subia 0,88%, a US$87,84.
DESTAQUES
• YDUQS ON recuava 6,74%, após o grupo de educação reportar lucro líquido ajustado de R$14 milhões no segundo trimestre, queda de 54,2% e abaixo do esperado por analistas. Na teleconferência sobre o resultado, o CEO afirmou ver trajetória positiva após a Copa do Mundo e citou perspectiva positiva para 2027. De acordo com analistas do Citi, a mensagem da administração foi bastante otimista em relação às perspectivas para os próximos meses. "No entanto, os resultados recentes foram fracos e o cenário econômico continua desafiador. Por isso, é compreensível que os investidores ainda estejam cautelosos, o que provavelmente explica a queda das ações observada hoje", afirmaram em relatório a clientes.
• LOJAS RENNER ON perdia 4,17%, tendo como pano de fundo relatório do UBS BB cortando a recomendação dos papéis da varejista para neutra, bem como o preço-alvo de R$18 para R$13,50. De acordo com os analistas do banco, embora a Lojas Renner tenha uma posição financeira sólida, com bastante dinheiro em caixa e recompense seus acionistas por meio de dividendos e recompra de ações, "ainda não há sinais convincentes de que a empresa conseguirá ganhar participação de mercado de forma mais acelerada e continuar tendo um desempenho superior ao restante do setor".
• CPFL ENERGIA ON recuava 5,74%, tendo também no radar o balanço, que mostrou lucro líquido de R$1,44 bilhão no segundo trimestre, 21,3% maior do que o apurado um ano atrás, com o crescimento do mercado da distribuição de energia apoiado pela demanda residencial e de data centers. O índice do setor elétrico na bolsa caía 1,75%.
• EMBRAER ON avançava 2,43%, mantendo a trajetória positiva em agosto, quando fabricante de aviões já soma uma alta de quase 14%. A companhia informou na noite de quinta-feira que o seu conselho de administração declarou o pagamento de juros sobre o capital próprio referentes ao terceiro trimestre no montante total de R$154 milhões. Ainda no radar, analistas do JPMorgan elevaram o preço-alvo dos papéis para R$135 ante R$98 e reiteraram recomendação "overweight", destacando que ainda veem as ações em níveis atrativos.
• BRASKEM PNA subia 2,43%, após a petroquímica reportar um lucro líquido de R$3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$267 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. A receita líquida cresceu 22%. Na teleconferência com analistas, executivos da companhia afirmaram que os próximos anos serão de ambiente desafiador e destacaram que a prioridade é avançar em estrutura de capital sustentável. Também afirmaram que a negociação com bancos e detentores de dívida está "avançando bem" com conversas "construtivas".
• PETROBRAS PN valorizava-se 0,76%, endossada pela alta dos preços do petróleo no mercado internacional.
• VALE ON perdia 0,96%, em linha com outras mineradoras no exterior. Na China, contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 0,42%, a 710,5 iuanes (US$105,36) por tonelada, reduzindo sua perda semanal para 0,77%.
• ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,68%, em mais uma sessão negativa para os bancos do Ibovespa, com exceção de SANTANDER BRASIL UNIT, que avançava 1,58%. BRADESCO PN caía 1,38%, BANCO DO BRASIL ON perdia 2,09% e BTG PACTUAL UNIT recuava 1,27%.
• NUBANK, que é listada nos EUA, disparava 9,87%, após registrar lucro líquido trimestral acima de US$1 bilhão pela primeira vez, superando as estimativas de analistas. A receita total cresceu 39%, para US$5,88 bilhões. O custo do crédito, que pesou sobre as ações no trimestre passado após subir a US$1,79 bilhão, recuou desse nível para US$1,69 bilhão, ainda que com alta de 60% na comparação anual. A carteira de crédito do Nubank somou US$39,4 bilhões, crescimento de 37% na comparação anual e alta de 5% em relação ao trimestre anterior.
(Por Paula Arend LaierEdição de Pedro Fonseca)