EUA ameaçam países que negociam com o Irã, mas ainda não aplicam penalidades

Publicado em 24/08/2026 15:49 e atualizado em 24/08/2026 17:55

 

Por David Lawder e Humeyra Pamuk

WASHINGTON, 24 Ago (Reuters) - O governo do presidente Donald Trump anunciou nesta segunda-feira uma possível ampliação das sanções contra países que mantêm relações comerciais com o Irã, como parte do que foi anunciado como um “Dia D econômico”, mas não chegou a impor as penalidades de fato.

À medida que a guerra com o Irã se aproxima da marca de seis meses, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os EUA estavam lançando uma “ofensiva econômica” contra as conexões financeiras do Irã em todo o mundo.

Mas Bessent se recusou a dizer quais países específicos seriam alvo das medidas, ou quando essas penalidades entrariam em vigor.

“Por que eu iria querer destruir o sistema financeiro global? Acreditamos que é importante estabelecer um ponto de equilíbrio e dar às pessoas um período de adaptação, mas elas devem saber que isso avançará muito rapidamente e que estamos falando sério”, disse ele em uma coletiva de imprensa.

Bessent antecipou um “grande anúncio” sobre sanções contra uma instituição financeira até o final da semana.

A China tem sido, há vários anos, a maior compradora de petróleo iraniano, e Washington tem intensificado seus esforços para coibir as compras chinesas, mas até o momento não chegou a aplicar sanções contra os maiores bancos chineses.

Com o encontro marcado entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Washington no final de setembro, novas sanções contra bancos chineses poderiam prejudicar as perspectivas de prorrogação de um acordo firmado em novembro passado para manter o fluxo de terras raras chinesas e limitar as tarifas dos EUA.

A guerra de Trump contra o Irã, que elevou os preços da energia em todo o mundo, está prestes a completar seis meses. Embora os combates intensos tenham diminuído, os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra estão estagnados e o transporte de petróleo e matérias-primas pelo Estreito de Ormuz continua bloqueado, mantendo os preços da energia elevados.

Bessent também anunciou sanções contra quase 60 entidades, indivíduos e embarcações, e afirmou que o Tesouro estava visando cinco setores que o Irã utilizava para sustentar sua economia: ativos digitais, ouro, tecnologia, aviação e transporte marítimo.

A guerra de Trump contra o Irã, que elevou os preços da energia em todo o mundo, está prestes a completar seis meses. Embora os combates intensos tenham diminuído, os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra estão paralisados e o transporte de petróleo e matérias-primas pelo Estreito de Ormuz continua bloqueado, mantendo os preços da energia elevados.

A popularidade de Trump caiu para seu nível mais baixo, com apenas 33% dos norte-americanos, segundo a última pesquisa Reuters/Ipsos, aprovando seu desempenho. Ele afirma que os custos econômicos são necessários para garantir que o Irã não possua uma arma nuclear.

DÉCADAS DE SANÇÕES

Os EUA mantêm sanções contra o Irã há décadas, a maioria das quais visa restringir as receitas do país com o petróleo, o setor de aviação, as criptomoedas, a aquisição de componentes de armas e outros equipamentos militares, além de cortar o financiamento para empresas controladas pela Guarda Revolucionária Islâmica, uma força dominante na economia iraniana.

As sanções impedem que entidades designadas tenham acesso ao sistema financeiro baseado no dólar, mas o Irã tem conseguido criar rapidamente novas empresas de fachada, outras entidades e registros de embarcações para contornar as sanções.

Nos últimos meses, o Tesouro sancionou refinarias chinesas independentes, conhecidas como "teapots", por comprar petróleo iraniano e ampliou suas medidas contra a frota fantasma de petroleiros que transporta petróleo iraniano.

O bloqueio dos EUA aos portos do Irã já reduziu as ofertas chinesas de compra de petróleo bruto iraniano, informou a Reuters na sexta-feira, o que pode diminuir o impacto das sanções secundárias sobre a China.

Os Estados Unidos, a Organização das Nações Unidas e a União Europeia têm aplicado sanções, implementado embargos comerciais e congelado ativos desde o final da década de 1970 devido ao programa nuclear do Irã, às violações dos direitos humanos e ao apoio a grupos militantes.

Dados do Departamento do Tesouro dos EUA mostram que foram impostas sanções relacionadas ao Irã a mais de 1.000 pessoas, embarcações e aeronaves desde que Trump iniciou seu segundo mandato em 2025.

Medidas recentes têm como alvo a frota fantasma de petróleo do Irã; seguradoras de transporte marítimo; entidades e pessoas que facilitam a aquisição de armas pelo Irã; e plataformas de câmbio digital, congelando cerca de US$500 bilhões em criptomoedas ligadas ao Irã.

Fonte: Reuters

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