EUA lançam novos ataques após Trump ameaçar atacar o Irã "com muita força"
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Por Bo Erickson e Enas Alashray
WASHINGTON/DUBAI, 10 Jun (Reuters) - Os Estados Unidos iniciaram uma nova rodada de ataques contra múltiplos alvos no Irã durante a noite, informou o Exército norte-americano nesta quarta-feira, horas depois de o presidente Donald Trump prometer novos ataques caso não houvesse um acordo de paz.
"Os ataques são uma resposta à agressão injustificada e contínua do Irã", disse o Comando Central das Forças Armadas em uma publicação na rede social X, acrescentando que os ataques começaram às 0h45 em Teerã.
Os ataques são o mais recente desdobramento em uma escalada de investidas que ameaçam reacender uma guerra em grande escala, interrompida no início de abril, quando os dois lados concordaram com um frágil cessar-fogo.
Uma explosão foi ouvida na cidade portuária de Sirik, e as defesas aéreas foram ativadas na zona oeste de Teerã, informou a agência de notícias iraniana Mehr.
Trump havia dito mais cedo a jornalistas nesta quarta-feira na Casa Branca: "Vamos atacá-los, atacá-los com muita força."
O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse posteriormente durante uma visita ao Comando Central na Flórida que os ataques "devem promover nossos interesses militares e também fortalecer nossa posição diplomática".
"Vamos atacá-los com força nesta noite, e esperamos que o Irã tome uma boa decisão", disse. "Se precisarmos negociar com bombas, negociaremos com bombas."
Os Estados Unidos e o Irã trocaram tiros diversas vezes desde a vigência do cessar-fogo provisório, mesmo com as tentativas frustradas dos negociadores de pôr fim à guerra que já dura três meses. Trump afirmou repetidamente que um acordo está próximo, embora não haja sinais de avanços significativos, além de ameaçar retomar os bombardeios.
Na terça-feira, as Forças Armadas dos EUA atacaram sistemas de defesa aérea e radares ao redor do Estreito de Ormuz, após um helicóptero de ataque norte-americano ser abatido próximo à estratégica via navegável na segunda-feira. O Irã respondeu com mísseis e drones a bases dos EUA na Jordânia, Kuweit e Bahrein. Uma autoridade norte-americana afirmou que não houve danos significativos.
O Irã acusou os EUA de atacar reservatórios que abasteciam 10 aldeias com água potável e de violar o direito internacional.
"Isto não é dano colateral -- é um crime de guerra premeditado e uma violação flagrante dos direitos humanos", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghei.
O Pentágono não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
Trump, que já ameaçou destruir a infraestrutura civil do Irã, não disse se os próximos ataques teriam como alvo usinas de energia e pontes.
Em resposta, o chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, alertou que "a guerra não se limitará à região".
Apesar da linguagem beligerante de ambos os lados, houve sinais de continuidade dos esforços diplomáticos.
Uma delegação do Catar, que tem atuado como mediadora entre os Estados Unidos e o Irã, desembarcou em Teerã nesta quarta-feira para discutir os últimos acontecimentos, informou a mídia iraniana.
MISSÃO SECRETA
A guerra matou milhares de pessoas e interrompeu cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural, fazendo com que os preços subissem drasticamente. O Irã bloqueou o tráfego pelo Estreito de Ormuz, enquanto os EUA mantiveram seu próprio bloqueio aos portos iranianos.
Os preços do petróleo subiram quase US$ 3 após a ameaça de escalada do conflito feita por Trump, chegando a US$ 94 por barril.
Trump afirmou que navios transportando 100 milhões de barris de petróleo desafiaram o Irã ao atravessar o estreito como parte de uma missão militar secreta. Ele disse que os preços do petróleo estariam muito mais altos sem essa ação.
Hegseth afirmou que navios têm transitado pelo estreito "no meio da noite, protegidos pelos Estados Unidos de uma forma que o Irã não consegue impedir, não consegue ver".
Em outro comunicado, as Forças Armadas dos EUA informaram que desativaram um navio-tanque que transportava petróleo bruto iraniano no Golfo de Omã na terça-feira, pelo segundo dia consecutivo.
LÍBANO
Os combates em uma guerra paralela entre Israel e militantes do Hezbollah, apoiados pelo Irã, no Líbano, continuaram. Ataques aéreos israelenses no sul do Líbano mataram pelo menos 13 pessoas nesta quarta-feira, segundo fontes de segurança libanesas, enquanto o Hezbollah reivindicou novos ataques contra as forças israelenses.
As exigências de Teerã incluem o fim dos ataques de Israel no Líbano, o levantamento das sanções contra o Irã, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento de seu controle sobre o canal.
Trump afirma que o Irã deve acabar com as restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz. Também defende que qualquer acordo de paz deve garantir que o Irã não possa desenvolver uma arma nuclear.
O Irã nega qualquer ambição do tipo.
O Conselho de Governadores da agência nuclear da ONU, composto por 35 nações, aprovou nesta quarta-feira uma resolução apoiada pelos EUA, exigindo que o Irã declare seus estoques restantes de urânio enriquecido e permita que inspetores os verifiquem. O Irã classificou a resolução como "política".
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