Presidente da CNA critica descontrole dos gastos públicos e diz que ajuste nas contas é uma "necessidade imperativa"

Publicado em 25/08/2026 14:12
João Martins discursou na abertura do evento “Agenda Brasil”, na terça (25), em SP

Ao discursar na abertura do evento “Agenda Brasil – Crescimento, Emprego e Competitividade”, na terça (25), o presidente da CNA, João Martins, fez críticas ao descontrole dos gastos públicos e afirmou que o ajuste das contas do governo não é mais uma escolha, mas “uma necessidade imperativa”.

O evento reuniu centenas de participantes em São Paulo para debater temas que são centrais para o desenvolvimento do Brasil e para setor agropecuário como a sustentabilidade das contas públicas e os desafios do mercado de trabalho.

Promovido em parceria com o Estadão, o encontro contou com a participação de 500 convidados, entre pesquisadores, economistas, autoridades, parlamentares, empresários, representantes de entidades, lideranças do setor produtivo, vice-presidentes da CNA, presidentes de Federações estaduais de agricultura e pecuária, superintendentes do Senar e diretores do Sistema CNA/Senar

Além da abertura, foram dois painéis de debates. O primeiro tratou de “Responsabilidade Fiscal como Vetor da Competitividade Nacional” e o segundo trouxe o tema “Produtividade e Emprego: Novas Diretrizes para as Políticas Públicas”.

Dois estudos inéditos encomendados pelo Sistema CNA/Senar foram divulgados durante o evento e serviram de base para as discussões.

Ao iniciar seu discurso, o presidente da CNA traçou um panorama da situação do país nos 26 anos do “novo século 21”, “marcados por sucessivas crises econômicas e políticas que, além de impedir o crescimento mais elevado da economia, tem dividido a sociedade”.

E que, apesar de ser um país “rico de toda sorte de recursos”, muitos deles estratégicos para o desenvolvimento mundial, o país se encontra em um momento particularmente crítico da sua história. “Continuamos um país em que a maioria da população ainda luta por sua mera sobrevivência”.

João Martins trouxe dados econômicos no discurso. Falou dos estudos que mostram que 70% da população empregada ganha até dois salários-mínimos e cerca de 30 milhões de famílias dependem de transferências de renda do Estado para a subsistência. “Vivemos entre a abundância potencial e a privação efetiva”.

Oportunidade - O presidente da CNA falou que as eleições seriam uma oportunidade perfeita para um debate aberto e franco sobre os problemas e os desafios para o país, mas “para nossa desventura, estamos longe disso” porque o debate eleitoral carece de propostas realistas.

O Brasil já teve um “futuro”, deu saltos extraordinários em um “passado não tão distantes” e foi capaz de grandes soluções para os problemas que surgiam. “Criamos uma agricultura e uma pecuária de padrão universal. Diante da crise de energia, criamos o pro-álcool e descobrimos o pré-sal, com tecnologia própria. Diante da inflação, criamos o Plano Real”.

De repente, “parece que nos tornamos menores do que os nossos problemas”. Mas, diz Martins, temos todos os meios para reagir. “O que é preciso é que os setores responsáveis da nação se disponham a elevar a sua voz. Não vamos assistir passivamente à destruição de nossas riquezas, de nossas empresas, de nossos empregos”.

Descontrole dos gastos - Segundo ele, o descontrole dos gastos públicos tornou a economia brasileira um ambiente inóspito e hostil. A dívida pública não para de crescer, ocupando o espaço do mercado financeiro com os títulos do tesouro e empurrando os juros para alturas incompatíveis com o investimento e o funcionamento da economia privada.

“Empresas estão se desestruturando, famílias estão fortemente endividadas. O próprio agro, que foi durante um tempo uma ilha de prosperidade, está a braços com uma crise de endividamento. Precisamos eleger governos responsáveis e comprometidos com o futuro”, disse.

Ajustes urgentes - O ajuste das contas do governo, disse o presidente da CNA, não é mais uma escolha, “é uma necessidade imperativa” já que estruturas produtivas, construídas ao longo de décadas, estão na iminência de desaparecer.

“Empresas quando morrem, morrem para sempre. Famílias endividadas se desconstroem. A ação e omissão do governo estão envenenando o país com os maiores juros reais de todo o mundo”.

Por esse motivo, “junto com o jornal ‘O Estado de São Paulo’ estamos promovendo esse evento. “Reunimos especialistas imparciais e altamente preparados para fazer o debate que a política não quer fazer”. E, ao fazer isso, estamos convocando a sociedade brasileira para, mais uma vez em sua história, erguer sua voz e “provar que ainda temos reservas de cidadania e que vamos empregá-las”.

Juros altos - Também ao discursar na abertura do evento, o presidente do Sistema Faesp/Senar, Tirso Meirelles, falou da importância econômica e social do agro brasileiro.

O setor, afirmou, alimenta hoje mais de 1 bilhão de pessoas no mundo, além de responder por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto e dos empregos e também por metade das exportações.

No entanto, Meirelles ressaltou que o endividamento do setor por conta de juros altos e da inflação impede o crescimento do setor.

O presidente do Sistema Faesp/Senar defendeu ainda um amplo debate de um projeto para o Brasil e destacou o trabalho do Sistema CNA/Senar, das Federações estaduais de Agricultura e Pecuária e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) para o país voltar a crescer.

Responsabilidade - Também ao discursar na abertura do evento, a senadora Tereza Cristina, vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), cobrou maior responsabilidade na condução das contas públicas e alertou para os reflexos dos juros elevados sobre o setor produtivo, especialmente no acesso dos produtores ao financiamento.

A senadora reafirmou a importância do setor para a economia nacional, o que reforça a importância da discussão sobre temas macroeconômicos que também interessam ao setor, como a responsabilidade fiscal, utilizando as receitas públicas de forma responsável para que os gastos não superem a arrecadação e possa se investir na melhoria dos serviços para a população.

“Hoje temos um país que arrecada muito, mas também gasta muito e mal”, afirmou a senadora. A parlamentar também criticou as atuais taxas de juros no país, que na sua avaliação, “não descem a patamares decentes” e impedem o país de se desenvolver.

Tereza Cristina falou sobre a urgência de garantir previsibilidade de recursos e ampliar o alcance do seguro rural para proteger a renda do produtor e evitar que perdas provocadas por secas, enchentes e outros eventos adversos resultem em novos ciclos de renegociação de dívidas.

Fonte: CNA

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