Vale vê potencial para até 50 mi t de minério de ferro em novo projeto em Carajás, diz CEO

Publicado em 25/08/2026 12:47 e atualizado em 25/08/2026 13:38

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Por Marta Nogueira

BELO HORIZONTE, 25 Ago (Reuters) - A Vale vê potencial para expandir a capacidade de produção de minério de ferro em até 50 milhões de toneladas por ano, caso consiga avançar com a exploração do chamado bloco C, na região de Carajás, no Pará, disse o presidente da companhia, Gustavo Pimenta, nesta terça-feira.

Mas ele defendeu que sejam realizadas reformas regulatórias para que o projeto possa deslanchar.

Ao participar do congresso de mineração Exposibram, o executivo disse que há dificuldades para desenvolver novos megaprojetos no Brasil e voltou a defender medidas governamentais, como a publicação de um decreto já prometido pelo governo que trata da proteção de cavidades naturais subterrâneas, que reduziria margens de interpretação e poderia agilizar licenciamentos. 

"No minério de ferro, a gente tem várias oportunidades. Talvez uma das grandes seja o corpo C de Serra Sul. Em Serra Sul, a gente hoje desenvolve o S11D, mas você tem o C, o B e o A. Então, avançar naquele corpo minerário que tem muito potencial poderia gerar um grande projeto de mineração, a gente vem discutindo isso", disse Pimenta, a jornalistas, após participar de um painel no congresso.

"A modernização (das regras com o decreto de cavidades) é importante para isso. A gente ainda não tem o capex fechado (para o bloco C), mas é um projeto relevante de 40 milhões a 50 milhões de toneladas potencialmente."

Na véspera, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou ter entendido mais a necessidade do decreto, após visitar operações da Vale em Carajás. Segundo ele, as novas regras estão na Casa Civil, passando por "detalhes jurídicos e técnicos", após já ter sido alcançado um consenso entre a sua pasta e a de Meio Ambiente.

A proximidade de Silveira e Pimenta ocorre após o CEO ter assumido a Vale com missão de reaproximar a mineradora de autoridades federais e regionais, além de comunidades, após a companhia ter manchado sua reputação diante de rompimentos mortais de barragens. 

Os rompimentos de barragens trouxeram novas regras para o setor e também atrasaram projetos da Vale, que realizou mudanças em sua gestão.

Pimenta também comentou declarações de Silveira na véspera, de que tinha "absoluta certeza" de que a Vale teria também grandes projetos em terras raras.

"Nosso foco hoje tem sido nas commodities em que a gente tem vantagem competitiva e escala. Mas a gente está sempre estudando outras commodities, terras raras, lítio, são parte de estudo e não tomamos nenhuma decisão de investimento", ponderou.

"Qualquer outro mineral que não esteja dentro desses três que a gente faz hoje (ferro, cobre e níquel), vai ser feito sempre com a nossa disciplina na alocação de capital."

PORTO SUDESTE

Pimenta também reconheceu ver eventual participação no Porto Sudeste como uma oportunidade, após notícias sobre tentativas da companhia de fazer investimentos no ativo. 

"Ter alternativas logísticas é sempre positivo, a gente vê valor na opcionalidade e nas alternativas logísticas. Então a gente sempre olha essas oportunidades à luz dessas alternativas e dessas opcionalidades", afirmou.

Sobre o El Niño, Pimenta disse que a empresa vem preparando um plano robusto para chuvas na região do Sudeste, caso as perspectivas meteorológicas se confirmem, tendo a segurança como prioridade. Para suas operações no Norte, disse ele, a principal preocupação da empresa é com incêndios.

(Reportagem de Marta Nogueira; edição de Roberto Samora)

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Fonte:
Reuters

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