Irã faz apelo aos EUA para cumprirem acordo provisório após Trump ameaçar novos ataques
Por Parisa Hafezi
DUBAI, 1 Set (Reuters) - O Irã afirmou nesta terça-feira que tomará medidas recíprocas caso os Estados Unidos honrem seus compromissos assumidos no acordo provisório de junho para pôr fim ao conflito entre os dois países, mas as tensões permaneciam elevadas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Teerã com novos ataques.
Os preços do petróleo subiram após a primeira troca de ataques diretos desde o final de julho e na sequência de relatos de que dois petroleiros foram alvo de ataques ao saírem do Estreito de Ormuz, a via navegável que abastece o mercado global de petróleo e que o Irã praticamente fechou à navegação.
O conflito, que já dura seis meses, havia se transformado em um impasse econômico antes do ataque dos EUA à Ilha de Larak, no Irã, no domingo, ao qual o Irã respondeu lançando mísseis durante a madrugada contra duas bases aéreas norte-americanas na Jordânia.
“Vamos atingi-los com força... Haverá uma resposta”, disse Trump à Fox News na segunda-feira, segundo um repórter da emissora, embora o presidente tenha afirmado separadamente a repórteres que os novos ataques não significavam um retorno à guerra em grande escala.
Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters que as trocas de disparos foram um “confronto limitado e contido”, mas afirmou que Teerã daria uma resposta severa caso fosse atacada novamente.
Embora nenhum dos lados pareça querer um retorno à guerra total, suas promessas de responder a novos ataques destacam a rapidez com que um conflito — que vem sendo cada vez mais travado por meio de sanções, bloqueios e pressão econômica — poderia se transformar novamente em ação militar.
TEMORES DE QUE CONFLITO COM IRÃ POSSA SE PROLONGAR
Teerã tem afirmado repetidamente que só permitirá a livre navegação pelo Estreito de Ormuz se Washington implementar os termos do memorando de entendimento assinado por ambas as partes em junho, mas que rapidamente se desfez.
O memorando de entendimento declarou o fim dos combates, mas adiou muitas das questões mais difíceis e abriu caminho para um período mais amplo de negociações de 60 dias — que transcorreu sem que se chegasse a um novo acordo.
“Estou afirmando claramente que, se os EUA voltarem a cumprir seus compromissos previstos no memorando de entendimento, a República Islâmica do Irã retribuirá imediatamente”, disse o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.
Ele falava em Bishkek, capital do Quirguistão, durante uma cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, cujos membros também incluem Rússia, China, Índia e Paquistão.
Ele também havia afirmado na segunda-feira que a guerra não é do interesse de ninguém e que Teerã continua aberta a uma solução negociada.
No entanto, não houve sinais de um avanço, e o aumento das tensões nesta semana reacendeu os temores de interrupções no abastecimento de petróleo proveniente da importante região produtora de petróleo do mundo, com os futuros do Brent subindo mais 1,3% na terça-feira.
“As trocas recíprocas de mísseis entre os EUA e o Irã dão razão àqueles que acreditam que, mesmo que não seja uma ‘guerra eterna’, esse conflito vai se arrastar por muito tempo”, disse o analista da PVM John Evans.
(Reportagem adicional da Redação de Dubai, Phil Stewart e Kanishka Singh em Washington, David Lawder em Asheville, Carolina do Norte, Helen Coster em Nova York e Yasmine Ghania e Hatem Maher no Cairo)