Ibovespa avança 2% e ronda 189 mil pontos com eleição e commodities sob holofote
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 8 Set (Reuters) - O Ibovespa subia mais de 2% nesta terça-feira, na volta do fim de semana prolongado por feriado, com investidores repercutindo novas pesquisas eleitorais reforçando o cenário acirrado para a eleição presidencial no Brasil em outubro.
Por volta de 10h45, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, avançava 2,12%, a 189.065,12 pontos, apoiado ainda pela alta de commodities como o petróleo e o minério de ferro no exterior. O volume financeiro no pregão somava R$3,72 bilhões.
Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) passou a ter um ponto percentual de vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, embora o cenário ainda seja de empate técnico entre ambos. Na véspera, pesquisa Quaest também mostrou Lula e Flávio empatados com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno.
"O resultado mantém vivo o trade eleitoral que impulsionou os ativos brasileiros na semana passada", afirmou o analista de investimentos Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, citando a percepção no mercado de que uma eventual mudança de governo poderia resultar em uma política fiscal mais austera a partir de 2027.
Também no radar nesta sessão estava a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de inteligência da corporação, Leandro Almada, sob a alegação de que o próprio Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvos do que chamou de monitoramento ilícito por meio de relatórios de inteligência produzidos pela PF.
Em paralelo, dados da B3 continuam mostrando entrada líquida de capital externo na bolsa em setembro, com o saldo nos primeiros três pregões do mês positivo em R$3,9 bilhões, o que adiciona um sentimento mais favorável às ações brasileiras.
No exterior, o índice acionário norte-americano S&P 500 perdia 0,38%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos marcava 4,780%, de 4,784% na sexta-feira. O barril do petróleo sob o contrato Brent renovou máxima em várias semanas, chegando a US$99,46, após os houthis, apoiados pelo Irã, atacarem instalações de energia sauditas e Teerã ameaçar os Estados Unidos com uma "guerra econômica".
Nesta terça-feira, também entrou em vigor a nova composição do Ibovespa, incluindo as ações da construtora Tenda e sem os papéis da petroleira PetroReconcavo e da produtora de commodities agrícolas SLC Agrícola.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN avançava 2,8% e PETROBRAS ON mostrava acréscimo de 2,79%, endossadas pela alta do petróleo no mercado internacional, onde o barril sob o contrato Brent registrava elevação de 1,14%, a US$98,11. No setor, BRAVA ENERGIA ON subia 5,2% e PRIO ON tinha elevação de 4,1%.
• VALE ON subia 2,93%, alinhada ao movimento do setor no exterior, em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou o pregão diurno com alta de 1,36%.
• ITAÚ UNIBANCO PN valorizava-se 2,15%, em meio ao viés mais comprador na B3, com BRADESCO PN avançando 2,23% e BANCO DO BRASIL ON subindo 1,73%, enquanto SANTANDER BRASIL UNIT cedia 0,46%.
• CSN ON mostrava acréscimo de 3,46%, com investidores na expectativa de avanço no processo de desinvestimentos da companhia após a troca no comando anunciada na semana passada.
• MAGAZINE LUIZA ON avançava 2,76%, no quarto pregão seguido de alta, em movimento endossado pelo alívio nas taxas dos contratos de DI. O índice de consumo da B3 tinha elevação de 1,55%.
• MINERVA ON cedia 0,76%, em sessão de ajustes após forte valorização (+4,22%) no último pregão.
• TOTVS ON recuava 0,49%, ampliando o ajuste em setembro, após acumular em agosto alta de mais de 14%.
(Por Paula Arend Laier;Edição Michael Susin)