Ibovespa renova recorde com apoio de blue chips e encosta em 166.500 pontos

Publicado em 20/01/2026 18:05 e atualizado em 20/01/2026 18:52

Logotipo Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 20 Jan (Reuters) - O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, renovando máximas perto dos 166.500 pontos, com o desempenho robusto de blue chips como Vale e Itaú ajudando a descolar o pregão brasileiro do viés negativo de mercados acionários no exterior, onde o clima segue tenso após novas ameaças de tarifas dos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,87%, a 166.276,90 pontos, recorde de fechamento, após marcar 166.467,56 no melhor momento, topo intradia. Na mínima, registrada pela manhã, quando o exterior ainda pressionava, apurou 163.574,67 pontos. O volume financeiro na bolsa somou R$23,55 bilhões.

O Ibovespa ganhou fôlego no final da manhã, quando as bolsas norte-americanas abriram. Enquanto isso, preocupações envolvendo os planos de Donald Trump para a Groenlândia e incertezas relacionadas ao comando do Federal Reserve pressionaram Wall Street e endossaram o movimento de rotação de recursos que marcou 2025.

Na visão do analista Felipe Cima, da Manchester Investimentos, o Brasil acaba se beneficiando desse movimento, uma vez que a bolsa ainda está "bastante depreciada".

Dados da B3 neste começo de ano mostram entrada líquida de capital externo na bolsa, com o saldo positivo em R$7,3 bilhões até a última sexta-feira.

Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 2,06%, após fim de semana prolongado por feriado nos EUA na segunda-feira, em meio a ameaças recentes de Trump sobre tarifas adicionais de importação a produtos europeus em sua busca para assumir o controle da Groenlândia, que pertence à Dinamarca.

Para o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o fato de o Brasil não ter sido afetado pelas discussões geopolíticas mais recentes também favorece uma "tranquilidade" no mercado brasileiro. "O pessimismo passou longe da bolsa" nesta sessão, acrescentou.

Na cena local, Cima, da Manchester, chamou a atenção para a notícia de que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou visita do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília.

Para o analista, não se espera nenhum anúncio ou mudança do cenário atual, "mas o que parece é que ele (Bolsonaro) quer deixar várias portas abertas para que, conforme o cenário vá se desenhando, ele possa ir se movendo de uma forma mais prudente, sem perder a relevância".

 

DESTAQUES

- VALE ON subiu 1,92%, revertendo a fraqueza do começo do pregão, mesmo com a queda dos preços futuros do minério de ferro. No setor, CSN ON fechou com declínio de 3,04%, seguida por USIMINAS PNA, com baixa de 2,99%, e CSN MINERAÇÃO ON, com decréscimo de 1,44%. GERDAU PN foi exceção com alta de 0,86%.

- ITAÚ UNIBANCO PN avançou 0,94%, conforme os bancos do Ibovespa também reverteram o sinal negativo. BRADESCO PN subiu 1,43%, BANCO DO BRASIL ON - que aprovou payout de 30% para 2026 - valorizou-se 1,08%, SANTANDER BRASIL UNIT fechou com elevação de 2,01% e BTG PACTUAL UNIT encerrou em alta de 0,51%.

- SABESP ON valorizou-se 3,1%, tendo no radar que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovaram a aquisição da geradora de energia Emae pela companhia de saneamento, em derrotas para o empresário Nelson Tanure, que tentava barrar a operação e ainda a contesta judicialmente.

- PETROBRAS PN subiu 0,37% e PETROBRAS ON avançou 0,85%, endossadas pela alta dos preços do petróleo no exterior. A presidente-executiva da estatal afirmou que a Petrobras planeja iniciar no segundo semestre a transformação da Refinaria Riograndense em uma biorrefinaria. A conversão demandará R$6 bilhões em investimentos.

- B3 ON recuou 2,85%, no segundo pregão de queda seguido, após um começo de ano positivo, em parte pelas expectativas favoráveis para o mercado acionário brasileiro. Até a sexta-feira, os papéis acumulavam valorização de quase 13%.

- SUZANO ON caiu 0,96%, tendo como pano de fundo relatório de analistas do Citi, que cortaram a previsão para o Ebitda ajustado no quarto trimestre em 3%, para R$5,2 bilhões, a fim de refletir preços realizados de celulose ligeiramente mais baixos e maior custo caixa por tonelada (COGS). KLABIN UNIT cedeu 0,48%.

- C&A MODAS ON avançou 4,34%, buscando uma trégua, após registrar mínimas intradia desde março nos últimos pregões, com a queda acumulada no ano até a segunda-feira superando 24%. No setor, LOJAS RENNER ON subiu 1,72%.

- COGNA ON registrou elevação de 1,39% e YDUQS ON valorizou-se 1,09%, com agentes financeiros ainda avaliando os potenciais desdobramentos do resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que pressionou o setor na véspera ao mostrar que cerca de 100 cursos de medicina em todo o país tiveram desempenho insatisfatório.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Fonte:
Reuters

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário