Dólar se reaproxima da estabilidade com exterior, pesquisa Datafolha e IPCA-15 no foco
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 25 Set (Reuters) - O dólar se reaproximou da estabilidade ante o real nesta sexta-feira, influenciado por um lado pelo recuo firme da moeda norte-americana no exterior e por outro pelos dados da nova pesquisa Datafolha e do IPCA-15 de setembro.
Após exibir baixas na abertura, às 9h45 o dólar à vista registrava variação negativa de apenas 0,06%, a R$5,1900 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- tinha baixa de 0,08%, aos R$5,1945.
No exterior, após os avanços mais recentes, o dólar exibia perdas nesta manhã ante divisas como o iene, o euro e a libra, ainda que os investidores sigam posicionados para nova alta de juros nos EUA em outubro. A moeda norte-americana também cedia ante divisas como o rand sul-africano e o peso chileno.
No Brasil, porém, a eleição seguia influenciando os negócios. O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguiu com vantagem de 2 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial.
Lula tem 47% e Flávio soma 45%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Na semana passada Lula tinha 46% e Flávio registrava 44%.
Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias não tão favoráveis a Flávio – como a manutenção da vantagem numérica de Lula no Datafolha -- tendem a trazer um viés de alta para o dólar.
Outro fator de atenção dos investidores era o IPCA-15 de setembro, divulgado mais cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, após recuar 0,40% em agosto. Em 12 meses, houve elevação de 4,47% em setembro, contra 4,24% em agosto.
Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas menores, de 0,53% em setembro e 4,30% em 12 meses.
Uma inflação mais pressionada é um fator que pode dificultar novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 13,75%, no curto prazo, com efeitos sobre o câmbio.
Na quinta-feira, o dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,47%, aos R$5,1931.
No exterior, às 9h36 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,30%, a 100,990.
(Edição de Isabel Versiani e Eduardo Simões)