Taxas dos DIs sobem com mercado digerindo pesquisa Datafolha e IPCA-15

Publicado em 23/10/2026 10:46 e atualizado em 23/10/2026 11:29

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 23 Out (Reuters) - As taxas dos DIs operavam com altas nesta manhã de sexta-feira com o mercado digerindo a nova pesquisa Datafolha, mostrando empate na disputa pela Presidência, e a inflação pelo IPCA-15 em outubro, abaixo do esperado.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries também sustentavam altas depois de terem despencado na véspera.

Às 10h32, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 12,93%, em alta de 4 pontos-base ante o ajuste de 12,886% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 12,87%, com elevação de 11 pontos-base ante 12,762%.

No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 2 pontos-base, a 4,97%.

O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados com 50% dos votos válidos no segundo turno da eleição presidencial, que acontecerá no próximo domingo. Na semana passada, Flávio tinha 51% e Lula somava 49% dos votos válidos, que não consideram brancos, nulos e indecisos.

No primeiro turno, Flávio venceu com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.

Considerando as intenções de votos totais, Flávio somou 47% e Lula teve 46% na pesquisa mais recente, com 2% de indecisos e 5% de brancos, nulos ou que não pretendem votar.

Apesar do acirramento da disputa, boa parte do mercado segue posicionado para uma vitória de Flávio. A percepção de muitos agentes é de que, apesar da aproximação, Flávio se mantém à frente de Lula e haveria pouco tempo para uma virada.

A leitura de boa parte dos agentes ainda é de que, com Flávio no Planalto, crescem as chances de um maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado até o momento propostas concretas de ajuste.

No campo econômico, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta manhã que o IPCA-15 subiu 0,32% em outubro ante o mês anterior, após aumento de 0,70% em setembro. A desaceleração foi maior que o esperado pelo mercado, que projetava taxa de 0,43%.

Considerado uma prévia da inflação oficial, o IPCA-15 acumulou alta de 4,62% nos 12 meses até outubro -- abaixo da projeção de 4,73% do mercado, mas ainda acima do teto de 4,50% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central.

Os dados do IPCA-15 mostraram que a deflação dos preços de energia e de passagens aéreas em outubro ajudou a compensar a aceleração de alimentos e combustíveis.

A abertura do IPCA-15 mostrou ainda que a alta dos serviços desacelerou de 0,59% em setembro para 0,22% em outubro, enquanto a taxa de serviços subjacentes, que excluem alguns itens mais voláteis, passou de 0,28% para 0,45% no período, conforme cálculos do banco Bmg. A inflação de serviços intensivos em mão de obra permaneceu em 0,56%.

Ainda de acordo com o Bmg, a taxa média dos núcleos de inflação calculados pelo Banco Central variou de 0,34% para 0,32%.

De acordo com o economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, os resultados não alteraram sua perspectiva de novo corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic no início de novembro, já após a eleição, e de nova redução de 25 pontos-base em dezembro. Atualmente a Selic está em 13,75% ao ano.

Na última quarta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 78,6% de chance de corte de 25 pontos-base da taxa básica Selic em novembro, contra 18% de probabilidade de manutenção e 3% de possibilidade de redução de 50 pontos-base.

Para a reunião de política monetária de dezembro do Banco Central, as apostas apontavam para chance de 43% de corte de 25 pontos-base, 24% de redução de 50 pontos-base e 21% de manutenção.

Fonte: Reuters

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Taxas de DIs caem após desempenho abaixo do esperado do setor de serviços no Brasil
Taxas dos DIs têm altas leves com dados de varejo no Brasil e auxílio-desemprego nos EUA
Taxas caem em novo dia de busca por ativos do Brasil e alívio das tensões externas
Taxas dos DIs caem após ata do Copom reforçar expectativa de corte da Selic em março
Taxas dos DIs com prazos longos caem após pesquisa menos favorável a Lula
Juros futuros têm altas firmes após IPCA-15 pressionado por serviços