Taxas dos DIs têm baixas firmes em sessão de ajustes após disparada da véspera
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 27 Out (Reuters) - Após dispararem mais de 250 pontos-base na véspera, com o mercado reagindo negativamente à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), as taxas dos DIs fecharam a terça-feira com baixas firmes, com os investidores ajustando posições.
O Tesouro voltou a promover um leilão de recompra de títulos, o que contribuiu para acomodar as taxas dos títulos públicos e dos DIs, mesmo que em níveis ainda elevados.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,41%, em baixa de 41 pontos-base ante o ajuste de 14,822% da véspera, logo após o segundo turno da eleição. Já a taxa do DI para janeiro de 2031 estava em 14,935%, com recuo de 34 pontos-base ante 15,277%.
Apesar do forte recuo, as taxas ficaram longe de compensar a disparada da véspera e permanecem bem acima das taxas vistas antes do primeiro turno da eleição.
Na segunda-feira, a disparada dos prêmios na curva refletiu tanto um ajuste em relação às baixas vistas após o primeiro turno, quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) estava à frente de Lula, quanto as preocupações dos investidores com o futuro da política fiscal.
“Vejo um movimento comum de arrefecimento momentâneo, após uma forte explosão de alta do juro futuro, porém a perspectiva ainda continua em tendência elevada”, comentou Marcos Bassani, estrategista de investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital.
O Tesouro Nacional cancelou logo cedo o leilão de venda de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), títulos indexados à taxa básica Selic.
Além disso, o Tesouro realizou no fim da manhã um leilão de recompra de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B), títulos indexados à inflação. O órgão recomprou 3,815 milhões de NTN-B, em certame com valor total de cerca de R$16,8 bilhões.Como na véspera o Tesouro já havia recomprado R$14,8 bilhões em papéis prefixados e indexados à inflação, a operação desta terça-feira elevou para cerca de R$31,6 bilhões as recompras do órgão em dois dias, para minimizar a pressão de alta sobre as taxas futuras.
Em entrevista a jornalistas no Ministério da Fazenda pela manhã, o ministro Dario Durigan disse que a forte pressão vista na segunda-feira na bolsa, no câmbio e no mercado de juros futuros representou uma "troca de posição, porque o mercado estava apostando em outro candidato".
Para ele, já ocorreu nesta terça-feira uma reação de acomodação de expectativas.
Durigan também reafirmou a intenção do governo de buscar o centro da meta fiscal. A medida, segundo ele, será tratada com o Congresso.
No mercado, uma das principais preocupações é justamente a política fiscal do governo Lula, considerada insuficiente para equilibrar as contas públicas e reduzir a dívida.
No exterior, em meio à expectativa para a decisão sobre juros do Federal Reserve, na quarta-feira, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento—mostrava estabilidade às 16h35, a 4,986%.