Taxas dos DIs caem em sessão sem a referência dos Treasuries por feriado nos EUA

Publicado em 19/01/2026 16:58 e atualizado em 19/01/2026 17:32

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 19 Jan (Reuters) - Em uma sessão sem a referência dos Treasuries, as taxas dos DIs fecharam a segunda-feira em baixa, com investidores operando com foco nos próximos encontros do Copom e monitorando a disputa geopolítica envolvendo a Groenlândia.

No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,13%, em baixa de 7 pontos-base ante o ajuste de 13,204% da sessão anterior. A taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,71%, com recuo de 2pontos-base ante o ajuste de 13,729%.

O feriado do Dia de Martin Luther King manteve o mercado de títulos dos EUA fechado nesta segunda-feira, o que reduziu a liquidez ao redor do mundo.

No sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a intenção de aplicar novas tarifas comerciais sobre produtos de oito países europeus, até que os norte-americanos tenham permissão para comprar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca.

No domingo, embaixadores da União Europeia disseram que preparam medidas de retaliação aos EUA.

Os atritos entre EUA e Europa pressionaram os ativos de risco ao redor do mundo, como as ações na Europa, mas no Brasil as taxas dos DIs cederam, em especial entre os contratos curtos.

“Eu separo a curva de juros em dois ‘mundos’: o mundo até 2028 e o de depois de 2035. E no mundo até 2028 existe a possibilidade real de a taxa Selic cair 25 pontos-base em março, com o mercado arbitrando que os cortes podem ser maiores a partir daí”, disse Rodrigo Marques de Almeida, sócio e economista-chefe da Nest Asset Management.

Com a ausência de catalisadores nesta segunda-feira, as taxas curtas caíram, conforme Almeida, em meio à expectativa pela reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC no fim de janeiro.

“Já as taxas de 2035 para frente reagem à disputa eleitoral, que está na geladeira. A última notícia foi a entrada do (senador) Flávio Bolsonaro na disputa”, acrescentou Almeida.

Em entrevista ao portal UOL no fim da manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que iniciou uma conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre seu papel nas eleições de 2026, mas que os dois ainda não chegaram a um consenso.

Haddad também afirmou que o governo discute a ampliação do poder de fiscalização do Banco Central sobre os fundos, incorporando atribuições que hoje são da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e criticou o ex-presidente do BC Roberto Campos Neto. Segundo ele, o atual comandante da autarquia, Gabriel Galípolo, herdou problemas como a fraude no Banco Master.

Os comentários de Haddad pouco influenciaram os negócios.

Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a projeção mediana dos economistas do mercado para a inflação em 2026 passou de 4,05% para 4,02% e em 2027 seguiu em 3,80%. A taxa básica Selic para o fim deste ano permaneceu em 12,25%.

Já a projeção para o resultado primário seguiu apontando déficit de 0,53% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026. No caso de 2027, a projeção de déficit cedeu de 0,34% para 0,30% do PIB.

(Edição de Pedro Fonseca)

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Fonte:
Reuters

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