USDA: EUA vendem mais 318 mil t de soja para a China nesta 6ª; demanda é principal combustível para Chicago

Publicado em 04/09/2020 12:02

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou uma nova venda de soja do país para a China nesta sexta-feira (4) de 318 mil toneladas. O volume é todo da safra 2020/21 e se soma às outras 450 mil toneladas já informadas nesta semana. A nação asiática continua muito presente no mercado norte-americano não só buscando cumprir as metas determinadas na fase um do acordo comercial entre Pequim e Washigton, mas também para atender às suas necessidades crescentes de consumo. 

Durante toda a semana, o mercado especulou sobre compras de pelo menos 480 mil toneladas da oleaginosa pelas estatais chinesas no mercado norte-americano. No Brasil, a oferta é bastante limitada, e na China, a demanda não para de crescer. O país vem recompondo seus planteis de suínos depois dos picos da Peste Suína Africana e este é um dos setores que mais exige e puxa produto neste momento. 

"Eu acredito que é muito mais necessidade de compra da China do que para mostrar boa vontade (aos EUA), explicou o Sócio-Diretor da Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, em entrevista ao Notícias Agrícolas nesta semana. "A China está comprando mais e se isso está sendo em função do acordo, isso não tem tanta importância. A importância é que estão comprando mais", completa. 

Dessa forma, Cogo acredita que essa recomposição não motiva só compras maiores agora, como sinaliza um aumento das importações chinesas de soja no ano que vem e nos próximos. A consultoria internacional BusinessWire traz um estudo sinalizando que o mercado de alimentação animal na China cresça 4,06% os próximos cinco anos. 

MERCADO EM CHICAGO

Apesar de o mercado atuar com estabilidade nesta manhã de sexta-feira (4), ainda sobe e testa leves altas na Bolsa de Chicaago entre as posições mais negociadas da soja. Os futuros da commodity subiam, por volta de 11h50 (horário de Brasília) entre 0,50 e 2 pontos nos principais contratos, levando o novembro a US$ 9,68 e o o março/21 a US$ 9,73 por bushel. 

Os ganhos levam a dez sessões consecutivas de avanço e o mercado da soja na Bolsa de Chicago chega ainda ao seu quarto ganho semanal motivado, principalmente, pela demanda da China nos EUA. E como explicam os especialistas, não é a só a soja que vem sendo comprada pelos chineses, mas outros produtos - com grande destaque para o milho - também estão na pauta e favorecendo a subida de preços de outras commodities. 

Enquanto a China vai comprando mais, o mercado internacional especula quanto a nova safra norte-americana se perdeu por conta do clima adverso nos EUA, especialmente em agosto. 

Para Steve Cachia, consultor da Cerealpar, "o mercado de soja na Bolsa de Chicago mantém a tendência altista apesar dos comentários de que a quebra da safra americana talvez não seja tão grande quanto esperado. Com isso, a demanda volta a oferecer suporte, com novas compras de soja americana pela China e expectativa de maiores volumes confirmados nos próximos dias e semanas".

Assim, as expectativas para o novo boletim mensal de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) do dia 11 também são grandes para os traders. 

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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