Soja: Depois da euforia, mercado toma fôlego, realiza lucros e fecha o dia no vermelho em Chicago

Publicado em 24/02/2022 17:47

Depois de testarem limite de alta e superarem os US$ 17,00 por bushel na Bolsa de Chicago, se aproximando dos recordes históricos, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago encerraram o intenso e muito volátil pregão desta quinta-feira (24), marcado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia, no vermelho. As baixas ficaram entre 13,50 e 25,25 pontos nos contratos mais negociados, com o maio encerrando o dia com US$ 16,54 e o julho com US$ 16,36 por bushel.

Analistas e consultores de mercado afirmam que apesar do movimento de correção, o viés altista para as cotações permanece, inclusive, intensificado pelo conflito entre russos e ucranianos. Todavia, a euforia do início do dia foi revertida e o mercado deu uma pausa nas altas para tomar fôlego. 

"Na nossa visão, mais cedo houve muita euforia, muita incerteza, muita preocupação se a logística no curto prazo poderia ser afetada, os sistemas de pagamento da Rússia, depois a coisa perdeu força. Até porque as fortes altas geraram um movimento de venda, o pessoal botou no bolso o que ganhou, e há ainda uma percepção de que mesmo a Rússia tomando o controle da região, isso seria muito rápido, e eles tomariam conta inclusive dos canais de escoamento" explica Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios. 

Assim, o executivo voltou a reforçar a ação dos especuladores sobre as altas da manhã - que foram mais notícia para o dia do que as baixas do final dele - até porque "não há nenhum fundamento negativo" no mercado neste momento. 

No paralelo, o mercado também esteve atento aos números trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) direto do primeiro dia do Outlook Forum e que indicaram um aumento de área destinada à soja na safra 2022/23. 

O USDA projeta 35,61 milhões de hectares (88 milhões de acres), contra 35,29 milhões (87,2 milhões de acres) da safra 2021/22. Embora maior do que a área da temporada anterior, a projeção ficou aquém do esperado pelo mercado e acabou sendo um "fator positivo para os preços". 

Além das questões mais recentes, o mercado se mantém muito focado em seus próprios fundamentos, em especial a quebra da safra da América do Sul. A oferta apertada preocupa o mercado, que precisa agora de uma safra 2022/23 saudável e cheia nos EUA para voltar a equilibrar as relações de oferta e demanda. 

No Brasil, os negócios ficaram parados, ainda como relata Cristiano Palavro. Com a volatilidade instalada muito intensamente, poucas referências se formaram para as cotações e os negócios quase não aconteceram. "Hoje todo mundo ficou de fora", explicou. 

A forte aversão ao risco fez o dólar voltar a subir frente ao real nesta quinta-feira e a moeda norte-americana terminou o dia com R$ 5,11, subindo 2,02%, marcando sua maior alta em cinco meses. No pico do dia, o dólar disparou 3,23%, a R$ 5,165. Na mínima, ainda subiu 0,62%, para R$ 5,0342, informou a agência de notícias Reuters.

Tags:

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Chuvas intensas paralisam colheita da soja e plantio da safrinha de milho no norte do MT e comprometem escoamento da safra
COFCO International envia primeiro carregamento de soja sustentável certificada para Bangladesh
Aprosoja MT alerta que chuvas desafiam colheita da soja e plantio da safrinha de milho em Mato Grosso
Soja realiza lucros na Bolsa de Chicago nesta manhã de 6ª feira, após ganhos fortes
Produtividade da soja do RS deve sofrer cortes após tempo seco e quente, diz Emater
Soja nos portos do BR volta a se aproximar do R$ 130/sc com Chicago subindo mais do que caem os prêmios