Soja: Preços caem nos portos e no mercado de balcão no Brasil acompanhando despencada em Chicago

Publicado em 22/06/2022 19:20

As perdas entre os futuros da soja nesta quarta-feira (22) se intensificaram e foram de 28,25 a 34,50 pontos entre os principais contratos no encerramento do pregão na Bolsa de Chicago. Mais uma vez, o mercado sentiu forte a pressão do financeiro em todo o complexo, principalmente no óleo, que terminaram o dia perdendo entre 3,69% e 4,06% nas posições mais negociadas, levando o agosto a 68,88 cents de dólar por libra-peso. 

Durante todo o pregão os futuros do óleo lideraram as baixas, acompanhando um novo dia de despencada de todos os óleos vegetais mundo a fora, bem como as perdas agressivas que se deram também entre os preços do petróleo. 

"A pressão vem do mercado global de óleos. Forte queda na Malásia, Índia e China. O óleo de palma caiu quase 10% hoje, aumentando a queda em relação aopico do ano, com um queda acumulada de quase 40%. Menor crescimento global e mais oferta. O petróleo em queda também acaba tirando força deste mercado", explicou Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities.

O petróleo, que chegou a perder mais de 5% ao longo do dia, fechou o dia com estabilidade, mas ainda com o mercado contaminado pelos temores de um menor crescimento econômico mundial que vai impactar diretamente o consumo de combustíveis. Todavia, como explicou Pedro Shinzato, analista de petróleo e derivados da consultoria StoneX, o mercado passa por problemas de refino neste momento. 

Entenda mais conferindo sua entrevista na íntegra ao Notícias Agrícolas:

O mercado de commodities agrícolas continua sentindo a agressiva pressão vinda do financeiro. A aversão ao risco é crescente, os fundos seguem desfazendo suas posições nestes ativos e buscando outros mais seguros frente a tantas incertezas. Assim, perdem não só as agrícolas, mas as commodities de uma forma geral. 

"Fundos continuam saindo de posições, optando por posição semelhantes a dinheiro vivo como duplicatas de empresas com até 30 dias (baixo risco de default). Tudo isso em dólar. A posição comprada em dólar continua crescendo. A liquidez está esfriando rápido. Fundos especializados em papeis de dívida de alto risco continuam reportando retiradas. A inflação não para", afirma ainda Vanin. 

Os fundamentos estão no radar, porém, têm pouca força neste momento. O que mais pesa é o consumo comprometido na China em função dos novos lockdowns que colocam milhões de pessoas novamente em quarentena. 

PREÇOS NO BRASIL

No Brasil, os preços nos portos já perderam a referência dos R$ 200,00 nesta semana, apesar de uma nova alta do dólar frente ao real. A moeda americana encerrou o dia com R$ 5,18 e alta de 0,45%, insuficiente para neutralizar a despencada de Chicago. 

No terminal de Rio Grande, R$ 195,00 era o indicativo e em Paranguá, de R$ 194,00 a R$ 196,00 por saca, como relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. "O lobinho (R$ 200,00 por saca) sumiu dos portos". 

Ainda segundo o especialista, os preços de balcão também recuam no interior do país, caindo até R$ 3,00 por saca, como é o caso de Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. 

"Isso é sinal de que o mercado vai se acomodando, o pessoal sabe que tem muita soja para negociar e isso vai derrubando o balcão", explica o consultor. "Mesmo em queda, o pessoal relatou uma corrida de venda no balcão", diz. 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

NOTÍCIAS RELACIONADAS

Produtividade da soja do RS deve sofrer cortes após tempo seco e quente, diz Emater
Soja nos portos do BR volta a se aproximar do R$ 130/sc com Chicago subindo mais do que caem os prêmios
USDA informa venda de soja para o Egito nesta 5ª feira
Se MT fosse um país seria o terceiro maior na produção de soja do mundo
Safra de soja do Paraguai pode bater recorde conforme colheita entra na fase final
Com possibilidade de novas greves na Argentina, farelo sobe mais de 1% em Chicago e soja acompanha