China e Brasil se encontram nos próximos dias para discutir inspeção da soja em meio a liquidez reduzida do mercado

Publicado em 13/03/2026 21:12
Na semana, apenas cinco navios foram negociados entre os países, menos do que no Ano Novo Lunar

Depois do imbróglio em função da suspensão das exportações de soja do Brasil para a China pela Cargill, representantes dos dois países se encontrarão nos próximos dias, ainda em março, para buscar um alinhamento para a situação. Da delegação brasileira partirão autoridades da Defesa Agropecuária, do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e do Departamento de Sanidade Vegetal para se reunirem com nomes da Administração Geral das Alfândegas (GACC - General Administration of Customs of the People's Republic of China). 

O objetivo da reunião é o de alinhar os protocolos sanitários e os processos de inspeção entre os dois países, algo que há tempos já vinha sendo motivo de desacordo entre as duas nações. No entanto, embora o MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil) tenha assumido com bastante intensidade e pouca tolerância a orientação que recebeu do órgão chinês, o alinhamento deverá acontecer em bons e tranquilos termos. 

"Se isso se estender, haverá racionamento. Nesta semana, somente cinco navios foram negociados custo e frete China, volume menor do que no feriado do Ano Novo Lunar, que historicamente é perto de zero e neste ano tivemos seis navios negociados. Caso tenhamos mais uma semana assim a situação se complica, Dalian continuará subindo, principalmente o farelo, e haverá inflação para o suinocultor chinês, o que não pode acontecer neste momento porque ele já está perdendo dinheiro", explica o sênior agriculture strategist da Marex, Eduardo Vanin. 

Ao suspender suas exportações, a Cargill alegou que os novos moldes dos procedimentos de inspeções do MAPA estariam sendo difíceis de serem cumpridos. De outro lado, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, rebateu a empresa dizendo que a multinacional já estava ciente do pedido da China e de que as discussões e mudanças já estavam em andamento. 

"O problema não é a barreira sanitária da China, mas a maneira como o nosso ministério resolveu lidar com as novas exigências, onde se faz necessária a presença do estado para resolver a questão destas cargas com destino para a China, o que gera uma grande dificuldade do estado que é ineficiente em todas as camadas em, realmente, conseguir garantir a nossa fila de embarques de soja brasileira no período mais crucial", afirma Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios.

A liquidez no mercado nacional da soja registrou uma baixa considerável nesta semana, com não só a Cargill, mas uma série de tradings deixando de trazer suas referências de preços ao mercado, ainda segundo analistas e consultores de mercado. E a repercussão de todo este cenário foi bastante negativa. 

"Não foi só a Cargill. Foi a Olam também, a Amaggi, Dreyfus, a própria Bunge confirmou também que estava fora do mercado, e isso tem uma repecurssão muito ruim de um modo geral. As coisas não fluem, quem tem que entregar soja não está entregando, quem tem que vender não está vendendo, e as consequências vão além do que podemos ver", afirma Ginaldo Sousa, diretor geral do Grupo Labhoro. "Esse fato das empresas fora do mercado vai pesar, o preço interno tende a cair e o preço externo fica nessa instabilidade que vai exigir das empresas se ajustarem lá na frente". 

Até o momento, o Brasil já comprometeu cerca de 27 milhões de toneladas com a exportação, volume 25% maior do que no mesmo período do ano passado e 44% a mais do que a média dos últimos cinco anos. "Nunca colocamos tanta soja para fora do nosso país neste período", afirma Matheus Pereira. O lineup do país se aproxima de 15 milhões de toneladas, "e isso é um recorde. E não sazonal, histórico, sendo 8% maior do que o total do ano passado e 20% em relação à média dos últimos cinco anos". 

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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