Prêmios da soja no Brasil perdem ao menos 20 pontos com suspensão das exportações para a China pela Cargill
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A suspensão das exportações de soja do Brasil para a China pela Cargill anunciada nesta semana foi mais uma notícia para o mercado brasileiro manejar nesta semana, já bastante agitada pela movimentação internacional. O anúncio de uma da mais importantes tradings do mundo envolvendo o maior vendedor e o maior comprador globais da oleaginosa vem causando grande repercussão e colocou uma pressão adicional às cotações, em especial pelos prêmios, que recuaram diante da situação.
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Segundo um levantamento da Royal Rural, os prêmios cederam cerca de 20 pontos nas principais posições, já que há, com a Cargill paralisando suas atividades de compra aqui no Brasil, uma "menor disputa" pela soja nacional, o que tira a força dos indicativos, portanto.
"A segunda maior exportadora 'teve o peito' de dizer que não vai mais mandar soja para a China (temporariamente, até que as questões das inspeções sejam sanadas), se as demais fizerem a mesma coisa, o impacto é grande na própria China, os preços sobem na China e acontece o inverso aqui no Brasil, os preços caem", explica Ronaldo Fernandes, diretor da consultoria.
Com este quadro permanecendo por pelo menos mais uma semana, na avaliação de Fernandes, a tendência é de que o produtor brasileiro continue amargando prêmios ainda mais baixos, estando estes já negativos em quase todas as posições. "E isso porque estamos diminuindo a presença de comprador aqui no mercado brasileiro. Tem a previsão de uma reunião entre os governos chinês e brasileiro, mas só na semana que vem. Então, até lá isso pode persistir. O efeito é preço alto na China e preço baixo para o produtor no Brasil", detalha o especialista.
Entre os meses de julho de 2025 e março de 2026, a Cargill respondeu por algo entre 15% e 16% das exportações de soja do Brasil para a China, com os volumes variando mês a mês, considerando que o grande movimento de exportação brasileira de soja é de fevereiro em diante. "Assim, estamos falando de cerca de 66% do pico de exportação da soja brasileira para a China. Assim, a Cargill dizer que não vai enviar soja para a China é um baque muito grande para a Cargill também", afirma Fernandes.
Os prêmios da soja no mercado brasileiro já vinham pressionados nos últimos dias pelas altas intensas que os futuros da soja acumularam na Bolsa de Chicago. Somente em relação à última sexta-feira (6), o contrato maio subiu 1,90%, passando de US$ 12,00 para US$ 12,23 por bushel, enquanto o julho saltou 1,92%, de US$ 12,13 para US$ 12,36 no fechamento da sessão desta sexta (13). E na última sessão desta semana, os preços na CBOT passaram por um movimento de realização de lucros e fecharam o dia com leves baixas.
Ainda de acorco com cálculos da Royal Rural, apesar de toda a pressão, os preços da soja no mercado brasileiro conseguiram acumular ainda uma alta de R$ 1,12 no preço da saca em reais. Além do apoio de Chicago - que de segunda à sexta subiu 2,9% -, o dólar futuro - considerando a curva de 60 dias - registrou um avanço expressivo de 1,15%.
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Assim, a semana termina com preços - base porto - na casa dos R$ 135,43 por saca na paridade de exportação.
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Neste cenário, portanto, os novos negócios com a soja brasileira registraram uma semana de normalidade, sem estar muito travado pelas últimas informações - em especial as que se referiram à suspensão das exportações da Cargill - mas também nada acima da média. E apesar das contas mostrarem os R$ 135,00 - que seria o maior preço desde 2025 - os portos nesta sexta-feira, por exemplo, viram os indicativos testarem R$ 130,00 com pagamento para abril.
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