Geopolítica e apetite ao risco invertem sinal e commodities agrícolas voltam a subir; soja avança na CBOT

Publicado em 15/06/2026 14:08

Apesar da contínua e intensifica queda do petróleo nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (15), com um acordo alcançado entre Irã e EUA, as commodities agrícolas inverteram o sinal e voltaram a subir em Chicago e Nova Iorque, lideradas pelo café, que sobe mais de 2% na tarde de hoje. Já na CBOT, os ganhos mais expressivos se dão entre os futuros do milho e do trigo, que chegaram a passar de 1% ao longo do pregão de hoje, puxando a soja e ajudando a amenizar as perdas do óleo. 

Por volta de 13h40 (horário de Brasília), as cotações da soja em grão subiam de 2,50 a 4,50 pontos nos principais contratos, levando o julho a US$ 11,18 e o agosto a US$ 11,22 por bushel. No mesmo momento, o farelo subia tímidos 0,03% para USD$ 301,40 por tonelada curta, enquanto o óleo ainda cedia, perdendo 0,4, para valer 74,06 cents de dólar por libra-peso. Mais cedo, o derivado chegou a recuar quase 2%. 

O mercado parece estar cansado das novas notícias, mas ainda assim mostra-se paciente para o próximo fim de semana - quando o acordo deverá ser oficialmente assinado em Genebra, na Suíça, - e também esperando pela reabertura do estreito de Ormuz. Assim, primeiramente, refletiu as perdas do petróleo - que passam de 5% na tarde de hoje - depois foram alinhando suas expectativas nos desdobramentos de um possível fim efetivo dos conflitos entre Washington e Teerã. 

O índice acionário S&P500, por exemplo, registrou, nesta segunda-feira, seu melhor dia desde abril diante das notícias e dos comunicados oficiais. Segundo analistas e consultores de mercado, com uma melhora do apetite ao risco, os mercados apresentam este movimento positivo, corrigindo parte das baixas que apresentaram nas últimas semanas. Além disso, afirmam ainda que a queda do petróleo traz certo alívio, principalmente, às preocupações com os impactos que o choque nos preços causam sobre a inflação. 

"O acordo entre os EUA e o Irã é um grande avanço e um fator positivo para os mercados, já que as idas e vindas nas negociações só causaram mais incerteza e volatilidade", disse Michael Landsberg, da Landsberg Bennett Private Wealth Management à agência internacional de notícias Bloomberg.

Os especialistas, todavia, reforçam que a volatilidade não foi completamente dissolvida, devendo persistir no curto prazo, com os mercados ainda avaliando os desdobramentos do acordo e, acima de tudo, sua manutenção e implementação. 

"Apesar do avanço diplomático, temas sensíveis como o programa nuclear iraniano, o destino do urânio enriquecido e a liberação de recursos atualmente bloqueados por sanções permanecem sem definição e deverão ser negociados durante um período de 60 dias. Nesse contexto, o acordo é visto mais como uma extensão do cessar-fogo do que uma solução definitiva para o conflito, mantendo elevado o grau de incerteza. Por isso, os mercados de energia e insumos ainda preservam parte do prêmio de risco geopolítico, enquanto os investidores aguardam a efetiva normalização da navegação no Estreito de Ormuz e a formalização do acordo", afirma o time de análises do Grupo Labhoro.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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