Mercado brasileiro da soja começa semana com preços estáveis e negócios ainda acontecendo

Publicado em 31/08/2026 17:07
2ª feira foi de estabilidade em Chicago, mas acima dos US$ 13/bushel

A segunda-feira (31) fechou levemente positiva para os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago. O contrato novembro encerrou o dia com US$ 12,88, enquanto janeiro, março e maio terminaram o pregão com os preços acima dos US$ 13,00 por bushel. O mercado encontrou sustentação, apesar das baixas agressivas do farelo e do óleo de soja também neste início de semana, de mais de 1%.

No Brasil, a semana começou com preços também estáveis. Além  da lateralida em Chicago, o dólar recuou frente ao real e pouca alteração se viu nos indicativos do mercado nacional. Ainda assim, como explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting, as oportunidades para o produtor continuam presentes. 

Os vencimentos mais alongados acima dos US$ 13,00 continuam conferindo cotações para a soja 2026/27 que lhes permite avançar com novos negócios. "Este é um momento interessante de cotação porque a partir do momento da colheita americana não há garantia de que vai segurar os preços", acredita o consultor. 

A soja, afinal, está pautada nos fundamentos de outros mercados e, por isso, sua volatilidade tende a continuar em Chicago, e a instabilidade dos bons preços no Brasil também. 

A orientação é semelhante à feita por Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities e da Marex, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio desta segunda-feira. 

"O ambiente da soja continua bem tranquilo e positivo para o produtor", diz Brandalizze. 

Ao mesmo tempo, os produtores vão, aos poucos, dividindo sua energia entre o avanço dos negócios com a safra nova, a conclusão da comercialização da safra 2025/26, e o início do plantio da temporada 2026/27, com o clima no seu foco central. 

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"A semana está começando com os negócios continuando nos portos, mas ainda tem muita soja na mão do produtor. Ainda tem muito mais do que 35 milhões de toneladas e o produtor aproveitando para vender. O mercado está no melhor momento do ano, quem precisa de caixa está num momento bom, é aquele momento dos cavalinhos encilhados passando. O produtor está aproveitando tanto a safra nova, como o disponível, que está bem valorizado", conclui Vlamir Brandalizze. 

A LATERALIDADE EM CHICAGO

Nesta segunda-feira, mais uma venda de soja foi anunciada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) de 159 mil toneladas, sendo todo volume da safra 2026/27, para destinos não revelados. 

Do lado da demanda, os traders continuam acompanhando de perto a possibilidade de novas compras chinesas de produtos agrícolas dos Estados Unidos. Analistas estimam que a China já tenha garantido entre 11 milhões e 11,5 milhões de toneladas de soja norte-americana até o final de agosto. O movimento reforça as expectativas de que o país asiático possa ampliar a presença no mercado dos EUA, principalmente diante dos compromissos comerciais firmados entre Washington e Pequim.

Além disso, problemas climáticos registrados em regiões produtoras da própria China também estão no radar. O país enfrenta episódios de calor intenso e enchentes que ameaçam a qualidade e o rendimento de algumas culturas, cenário que pode contribuir para uma demanda mais firme por produtos agrícolas importados.

O crop tour Grupo Labhoro e Notícias Agrícolas começou neste final de semana e as primeiras análises, imagens, vídeos e informações já começam a chegar no portal. Confira:

No cenário internacional, a continuidade dos ataques entre Rússia e Ucrânia mantém as preocupações com o fluxo de grãos pelo Mar Negro. Um ataque russo com drones neste fim de semana atingiu um armazém na região de Kiev, deixando dezenas de mortos e feridos e provocando danos à infraestrutura local. O episódio reforça a percepção de risco sobre a logística agrícola da região.

A possibilidade de novos obstáculos ao escoamento de grãos do Mar Negro pode levar importadores a buscar maior participação de fornecedores dos Estados Unidos e da América do Sul, oferecendo suporte adicional às commodities negociadas em Chicago.

Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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