Soja mais cara derruba margem de esmagamento em MT ao menor nível para agosto em três anos
A valorização da soja em Mato Grosso voltou a pressionar a rentabilidade das indústrias processadoras em agosto. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a margem bruta de esmagamento recuou 11,97% em relação a julho e encerrou o mês em R$ 383,31 por tonelada, menor nível para agosto dos últimos três anos.
O movimento ocorreu em meio à forte alta da matéria-prima. A saca de soja no estado teve preço médio de R$ 130,88 em agosto, avanço de R$ 13,58 por saca, ou 11,58%, frente ao mês anterior.
De acordo com o Imea, a valorização esteve ligada ao período de entressafra e à alta das cotações internacionais, diante das preocupações com a safra 2026/27 dos Estados Unidos.
A compressão das margens ocorre, porém, em um ano de forte atividade das indústrias de Mato Grosso. Entre janeiro e julho, o esmagamento de soja atingiu 8,26 milhões de toneladas, alta de 4,62% frente ao mesmo período de 2025 e recorde para o intervalo.
Segundo o instituto, o avanço do processamento tem sido impulsionado pela demanda aquecida do setor de biocombustíveis.
O fortalecimento do mercado interno também tem alterado a destinação da soja produzida em Mato Grosso. O Imea destaca que, apesar de as exportações continuarem em bons volumes, a maior demanda doméstica tem limitado embarques mais expressivos do grão.
Na última semana de agosto, a soja disponível em Mato Grosso continuou avançando, passando de R$ 129,38 por saca na segunda-feira (24) para R$ 132,16 na sexta-feira (28).
No mercado internacional, o contrato de março de 2027 em Chicago também registrou valorização. A média semanal avançou 2,21%, para US$ 12,77 por bushel, enquanto a paridade de exportação para o mesmo período subiu 2,47%, para R$ 119,64 por saca.