"Tempestade perfeita" puxa soja acima de US$ 13 em Chicago e Brasil tem melhores preços em quatro anos

Saca bate R$ 164 nos portos e consultores recomendam travar parte dos negócios antes da colheita americana
Publicado em 01/09/2026 15:50
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A soja voltou a disparar na Bolsa de Chicago e fechou o dia com altas de quase 30 pontos o pregão desta terça-feira (1). Assim, o contrato novembro conclui o dia como os demais, já acima dos US$ 13,00 por bushel, consolidando um novo momento para o mercado da oleaginosa, segundo afirmam analistas e consultores de mercado. 

O movimento é sustentado principalmente pela piora das condições das lavouras norte-americanas, pela demanda ainda firme pela soja dos Estados Unidos e pela valorização dos derivados, especialmente o óleo de soja. Nesta terça, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou uma nova venda de soja 2026/27 para a China, neste caso de 136 mil toneladas. Os preços que já vinham subindo, ganharam ainda mais força depois do informe. 

Além disso, o relatório mais recente do USDA de acompanhamento de safras mostrou uma nova deterioração da safra americana. O percentual das lavouras de soja classificadas entre boas e excelentes caiu para 58%, contra 60% na semana anterior. A piora reforça as preocupações do mercado com o potencial produtivo da safra e ajuda a retirar parte da pressão baixista que vinha sendo exercida pelas perspectivas de ampla oferta.

Na outra ponta, há ainda o trigo. Os futuros do cereal voltaram a subir de forma expressiva nesta terça-feira e terminaram o dia comk altas de 10,25 a 11,50 pontos, levando o dezembro a US$ 7,84 e o maio a US$ 8,05 por bushel. O mercado segue precificando o choque logístico que vive a região do Mar Negro, com ainda uma falta de alinhamento entre Rússia e Ucrânia, com novos ataques sendo registrados, acometendo, principalmente, estruturas portuárias e de armazenagem em ambas as nações. 

Mercado da Soja (2)

"O trigo atinge máximas de três anos e meio após Moscou rejeitar uma moratória de ataques e intensificar os bombardeios contra estruturas portuárias ucranianas. As mudanças e os riscos para a logística de exportação no Mar Negro seguem como principal fator por trás da forte valorização das cotações", afirma o time de análises da Agrinvest Commodities. 

O mercado da soja em grão encontrou suporte ainda na forte alta que registraram também os futuros do óleo e do farelo de soja nesta terça, de mais de 2% para ambos. "O óleo registra fortes altas sustentadas pelo avanço do petróleo e pelas expectativas em torno dos RINs, diante da possibilidade de até 1,8 bilhão de créditos serem dispensados sem compensação. O farelo também acompanha o movimento positivo do complexo", complementa a consultoria. 

O farelo tem uma correlação bastante forte com o trigo e vem encontrando bom suporte nas altas do cereal. 

E ainda nesta terça, a geopolítica aumentou também a intensidade dada ao mercado do petróleo, com altas de mais de 7% no brent, para US$ 94,84 por barril negociado na Bolsa de Londres, enquanto o WTI subiu mais de 5% para chegar de volta aos US$ 90,34. O mercado segue estimulado pelas tensões no Oriente Médio, falta de acordo entre Irã e Estados Unidos e pela notícia de que dois navios petroleiros foram atacados no Estreito de Ormuz. 

PREÇOS NO BRASIL NOS MELHORES MOMENTOS EM QUATRO ANOS

A reação de Chicago continua a aparecer também nas referências brasileiras. Segundo a Safras & Mercado, a forte alta em Chicago segue estimulando o mercado doméstico nesta terça-feira, criando espaço para uma contínua melhora das cotações e podendo favorecer a comercialização da oleaginosa no país.

"Não se esperava chegar nestes números (em Chicago), tecnicamente não havia essa possibilidade e agora, com vários fatores, todos altistas, ocorrendo de maneira simultânea, traz uma condição boa para o produtor. Aquele que vai precisar de caixa entre março e maio é uma oportunidade para afzer fechamentos, estamos no melhor momento do ano, com a soja nos portos variando entre R$ 162,00 e R$ 164,00, nos maiores níveis do ano", explica Vlamir Brandalizze, consultor de mercado da Brandalizze Consulting. 

Os bons indicativos da soja disponível chegam também aos preços da soja da safra nova, que já rompem o patamar dos R$ 150,00 por saca, dando também boas oportunidades para quem pode e precisa avançar com a comercialização 2026/27. "Por enquanto, tudo a favor", diz Brandalizze. 

O movimento, entretanto, não é necessariamente repassado na totalidade para o produtor brasileiro. Isso porque o câmbio trabalha com pouca força — o dólar era negociado abaixo de R$ 5,20 — e os custos de logística, especialmente os fretes, continuam limitando parte do ganho.

Ainda assim, a combinação de Chicago mais forte, prêmios estáveis e a demanda ainda aquecida pela soja brasileira continuam a dar força aos preços no mercado brasileiro. E o mercado é comprador, e produtor, ainda segundo Brandalizze, vem fazendo médias. 

"Temos que alerta que na medida em que as primeiras colheitas forem acontecendo nos EUA e a safra se definindo por lá, os preços (na CBOT) perde esse fôlego. E se a produtividade vier melhor do que mostram os sinais do USDA também pode ser um fator negativo", complementa o consultor de mercado. 

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