China avança nas compras de soja nos EUA, mas margem de esmagamento chinesa liga alerta no mercado
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou, na manhã desta quarta-feira (9), um novo pacote de vendas diárias de soja e milho referente à safra 2026/27. O boletim reforça a presença ativa dos grandes importadores globais no mercado norte-americano.
No complexo soja, o volume somou 440 mil toneladas, com destaque para a China, que adquiriu 340 mil da commodity. As outras 100 mil foram comercializadas para destinos desconhecidos.
Já no mercado de milho, o relatório diário trouxe a confirmação da venda de 182,88 mil toneladas destinadas ao México, mantendo o ritmo comprador constante do país vizinho para o ciclo 2026/27.
Para o produtor brasileiro, o apetite firme da China sustentado em Chicago ajuda a dar suporte aos preços futuros da commodity no exterior. A atenção agora se volta para o comportamento dos prêmios nos portos brasileiros e para a competitividade da nossa safra à medida que o plantio avança no país.
E QUANTO CUSTA A SOJA PARA OS COMPRADORES AGORA?
A China tem estado muito ativa no mercado norte-americano neste momento, porém, comprando aquilo que está previsto. São 25 milhões de toneladas até o final do ano e o compasso em que as compras acontece sinaliza que o volume deve ser alcançado. É preciso, no entanto, monitorar agora como a nação asiática deverá se posicionar diante dos preços nas principais origens.
Como explica o analista de mercado da Agrinvest Commoodities e sênior agriculture strategist da Marex, Eduardo Vanin, mais importante do que acompanharmos o volume, será necessário entender a janela de atuação dos chineses no mercado internacional.
"Os estoques da China estão altos agora, mas isso se deve aos embarques de abril a julho, que foram altos. As empresas estatais terão muita soja, soja americana, e as privadas terão pouca soja, que é a soja da América do Sul, porque a Argentina vendeu menos do que no ano passado, o Brasil também e a China vem comprando menos", diz, em entrevista ao Bom Dia Agronegócio desta quarta no Notícias Agrícolas.
Há de se considerar ainda o atual momento das margens de esmagamento no país asiático que, até aqui, estão favoráveis com os embarques já realizados. No entanto, preocupam para frente. "A preocupação é com a margem feita com a soja comprada em outubro, novembro e dezembro. E neste caso ela vai diminuir. O fator errado nesta equação não é o preço da soja brasileira, ou a Bolsa de Chicago, mas o preço do farelo na China, está muito barato", detalha o especialista.
Vanin destaca ainda que o pico dos estoques de soja nos portos chineses não só foi menor do que no ano passado - tendo sido registrado há cerca de três semanas - e também acontecendo mais cedo na comparação anual, já que em 2025 este pico se deu em novembro. "E o farelo tende a reagir a isso. E essa soja que a China vem comprando dos EUA não vai para o crush comercial, vai só para o estatal, e a capacidade estatal de esmagamento é bem menor do que a comercial. Portanto, vai haver uma falta de farelo no mercado chinês, mas por enquanto não acompanha a alta da soja".