Atrasos na colheita de soja nos EUA levam processadoras a correr atrás de suprimentos

Publicado em 25/09/2026 11:01

Por P.J. Huffstutter e Julie Ingwersen

CHICAGO, 25 Set (Reuters) - As empresas de processamento de soja na região oeste do Meio-Oeste dos EUA estão oferecendo prêmios substanciais para entregas imediatas da oleaginosa, já que as chuvas persistentes atrasam as primeiras colheitas, reduzindo a oferta e forçando algumas fábricas a reduzir a produção, de acordo com entrevistas com comerciantes de grãos e dados divulgados publicamente pelas empresas.

A corrida pela soja fez os preços à vista dispararem, gerando um lucro inesperado para os agricultores capazes de colher suas safras e levá-las ao mercado, ou de vender o que restava de suas safras anteriores.

A capacidade de processamento de soja nos EUA se expandiu nos últimos anos, em grande parte devido à crescente demanda por biocombustível. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou que as usinas processarão um volume recorde de 2,78 bilhões de bushels de soja na safra atual, um ritmo acelerado impulsionado por margens de lucro robustas.

No entanto, algumas usinas de processamento têm enfrentado dificuldades para manter as operações neste mês, segundo analistas, à medida que os estoques da safra do ano passado se esgotam, enquanto a safra de 2026 teve um início lento.

Charlie Sernatinger, vice-presidente executivo da Marex, disse que há "uma infinidade de usinas de processamento por aí ansiando por grãos", com potencial para que a soja seja enviada das regiões do leste.

CHUVAS RETARDAM A COLHEITA

Muitos produtores não conseguem aproveitar o repentino aumento dos preços. As chuvas do final do verão deixaram os campos lamacentos demais para suportar os equipamentos de colheita e retardaram o processo natural de secagem das culturas, e as previsões indicam mais chuvas até a próxima semana.

O agricultor de Iowa Roger Cerven vendeu recentemente o que restava de sua safra antiga de soja, transportando-a por mais de 50 milhas, apesar dos custos crescentes do combustível, até a usina de processamento de soja da Bunge em Council Bluffs, Iowa. Na época, a processadora oferecia um prêmio de 65 centavos por cada bushel entregue.

Na quinta-feira, o prêmio chegou a 85 centavos por bushel para a soja entregue até sábado.

A safra de soja nos campos de Cerven, no condado de Montgomery, no sudoeste de Iowa, está a semanas da colheita, mesmo que o solo estivesse seco. Amigos e vizinhos estão na mesma situação, disse ele.

"Não conheço ninguém que tenha soja para vender neste momento", disse Cerven.

SUBIDA REPENTINA DOS PREÇOS

O aumento repentino nos preços à vista contrasta com as condições de um ano atrás, quando os preços locais da soja estavam sob pressão em meio a novas tensões comerciais entre os EUA e a China e à suspensão das compras pelo maior importador mundial de soja.

Na quinta-feira, a gigante global do agronegócio Cargill estava oferecendo US$1 por bushel acima do preço do contrato futuro novembro da bolsa de Chicago para grãos entregues em sua usina de esmagamento em Sioux City, Iowa, na quinta ou na sexta-feira, de acordo com o site da empresa.

Essa oferta se traduzia em um preço à vista de US$14,175 por bushel.

REDUÇÃO DA MOAGEM

Algumas fábricas já reduziram suas operações de moagem de grãos de soja para a produção de farelo de soja, usado na ração animal, e óleo de soja, utilizado em alimentos e biocombustíveis, pois não conseguiram garantir suprimentos suficientes de soja, de acordo com dois comerciantes de grãos entrevistados pela Reuters.

Como resultado, as fábricas da Cargill em Cedar Rapids, Iowa Falls e Sioux City, em Iowa, não divulgaram ofertas de farelo de soja devido à falta de suprimentos, afirmaram os comerciantes.

A escassez no mercado à vista de soja também se refletiu no mercado de futuros. Os futuros de farelo de soja para outubro na CBOT dispararam na quinta-feira, atingindo a maior cotação desde o início do contrato, e foram negociados com um prêmio incomum em relação aos futuros de farelo de soja para dezembro pela primeira vez em mais de dois anos.

Representantes da Shell Rock Soy Processing se recusaram a comentar na quinta-feira. A Cargill, a CHS e a ADM não comentaram o assunto.

DIFICULDADES EM TODA A REGIÃO

As processadoras de soja nas regiões central e leste do Meio-Oeste também têm enfrentado atrasos na colheita, o que levou algumas a atrair os agricultores com preços mais altos. A fábrica de soja da Bunge Global SA em Decatur, Indiana, elevou sua oferta de compra de soja em 20 centavos na quinta-feira, para 25 centavos acima dos futuros de novembro, para cargas entregues até sexta-feira.

A Bunge não foi encontrada para comentar o assunto.

Chuvas excessivas na região central de Indiana deixaram os campos enlameados e impediram os agricultores de realizar a colheita.

Os produtores locais de milho e soja relatam que as chuvas intensas em agosto deixaram suas plantações fortemente saturadas e retardaram o processo natural de secagem -- o que, por sua vez, está adiando as datas de maturação de suas safras em várias semanas.

(Reportagem de P.J. Huffstutter; reportagem adicional de Heather Schlitz e Tom Polansek, em Chicago)

Fonte: Reuters

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