Mesmo com Brasil até 90 cents/bushel mais barato, China continua comprando bons volumes de soja nos EUA
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Nesta quarta-feira (14), o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) anunciou mais vendas de soja e milho. Foram 136 mil toneladas de milho para a Coreia do Sul e 334 mil toneladas de soja para a China. Os volumes são todos da safra 2025/26. As vendas feitas no mesmo dia, para o mesmo destino e com volumes iguais ou superiores a 100 mil toneladas devem ser sempre informadas ao departamento americano.
A China segue focada no mercado dos Estados Unidos e está bem próxima de alcançar o programa dos 12 milhões de toneladas até o começo de fevereiro, como foi anunciado no ano passado pelo secretário do Tesouro Americano, Scott Bessent. Segundo o sênior agriculture Strategist da Marex, Eduardo Vanin, o volume adquirido pela nação asiática já estaria em 11,2 milhões de toneladas.
"E as compras agora estão concentradas no embarque abril, já indo para o maio. E a soja dos EUA continua mais cara em relação ao Brasil, mas também para outros destinos. O Brasil é mais barato, por exemplo, posto Ásia, 90 centavos comparando abril com abril. Norte da África e Europa, entre 70 e 80 cents por bushel mais barato, considerando a curva toda - de fevereiro a maio - e o Brasil está vendendo mais para destinos não China", detalha o executivo.
E este terá que ser um fluxo contínuo nesta temporada, como têm explicado analistas e consultores de mercado, uma vez que a China - que esteve muito concentrada na soja do Brasil em 2025 - deverá olhar mais para a norte-americana neste ano, buscando cumprir os volumes informados pelos EUA, garantindo ao menos relações comerciais alinhadas entre as duas maiores economias do mundo. A expectativa total de Bessent é de que a China adquira 87 milhões de toneladas até o fim de 2027, início de 2028.
Os mercados "não-China" serão fundamentais para que o programa nacional de exportações de 114 milhões de toneladas, como estima o USDA, seja alcançado.
"Olhando para o nosso lineup no mês de janeiro já temos 4,5 milhões de toneladas, contra 2,8 milhões do ano passado, e parte dos embarques que já somam 800 mil toneladas, 46% tem como destino a China, bem menor do que em anos anteriores, quando estavam em algo entre 70% e 75%. Um dos motivos é a safra maior e, por isso, o programa de exportação também terá que ser, e o outro ponto é que a China está menos comprada no Brasil para nossa nova safra e isso não é bom. No ano passado, a China já tinha comprado no Brasil 29,5 milhões de toneladas e, nesta temporada, está chegando nos 24 milhões", explica Vanin.
O analista afirma também que a "falta da guerra comercial" é um dos motivos para o atual cenário, com a soja americana entrando no país e os leilões ainda acontecendo na nação asiática.
Em seu reporte mensal de oferta e demanda, o USDA trouxe com um dos destaques o recuo dos preços da soja para exportação nas principais origens e o gráfico já mostra esse comportamento das cotações no Brasil - na linha preta -, deixando a soja nacional mais barata do que a norte-americana.
"Os preços de exportação da soja caíram no último mês para todos os principais exportadores, em antecipação a uma safra recorde no Brasil, que começará a ser exportada nas próximas semanas. Os preços de exportação da soja dos EUA permaneceram excepcionalmente altos em relação aos preços brasileiros, já que as vendas estáveis para a China sustentaram a demanda por soja dos EUA", afirmam os analistas do departamento. "A soja argentina permaneceu com desconto durante esse período, à medida que os últimos lotes de soja vendidos durante a isenção temporária do imposto de exportação do país são exportados".
E este será mais um ponto importante de observação no comércio global da soja nesta temporada: o tamanho da oferta argentina da oleaginosa e os movimentos do governo de Javier Milei impactando a comercialização, como se deu em 2025.
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